Operação Lava Jato completa cinco anos

Redação

Superintendência

A Operação Lava Jato completa cinco anos neste domingo (17) com 155 pessoas condenadas em 242 sentenças.

A Lava Jato já fez 91 acusações contra 426 pessoas físicas, mas nem todas foram processadas. Mais de 180 pessoas denunciadas fizeram acordo de delação premiada e passaram a colaborar com as investigações.

Ao todo, 50 processos resultaram em condenações por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, organização criminosa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, tráfico internacional de drogas, crime contra a ordem econômica, embaraço à investigação de organização criminosa e falsidade ideológica.

Operação Crotalus
Foto: PF

Cerca de R$ 2,5 bilhões já foram devolvidos à Petrobras, a estatal que teve maior prejuízo com os esquemas de corrupção que envolveram algumas das maiores empresas, empresários, políticos e partidos do país.


E ainda há R$ 11,5 bilhões a serem ressarcidos ao erário, conforme acordos já firmados com a Justiça Federal. Além disso, em 13 acordos de leniência com empresas envolvidas, há previsão de ressarcimento de R$ 13 bilhões. Valor que, segundo dados do Ministério Público Federal (MPF), ainda pode chegar a R$ 40 bilhões.

Cinco anos

A Operação Lava Jato teve sua primeira fase deflagrada em 17 de março de 2014 pela Polícia Federal (PF). Entre os presos da primeira fase estava o doleiro Alberto Youssef, que foi decisivo para os rumos da operação e para as proporções que ela alcançou.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Três dias depois da primeira fase, a operação realizou sua primeira “grande prisão”. Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, que deixara o cargo dois anos anos antes, foi detido após serem constatadas negociações entre ele e Youssef.

Em agosto,Paulo Roberto Costa assinou acordo de delação premiada. No mês seguinte, Youssef também se tornou delator.

Depois de cinco anos, 60 fases já foram realizadas. A operação, ainda hoje, é conduzida por uma força-tarefa composta por membros da Polícia Federal, MPF, Receita Federal, Banco Central e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O coordenador da força-tarefa Lava Lato, procurador da República Deltan Dallagnol. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Durante estes cinco anos, a operação alcançou grandes empresas e empresários, entre eles, o Grupo Odebrecht e Marcelo Odebrecht. Também chegou ao alto escalão do governo, condenando e prendendo políticos como o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em abril de 2018 em decorrência de condenação no caso do triplex no Guarujá.

Foto: Franklin de Freitas/Folhapress

Os processos foram sempre, majoritariamente, conduzidos na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba. Foi na capital paranaense que o ex-juiz federal Sergio Moro ganhou notoriedade e se tornou uma das figuras centrais da operação. Ele deixou o cargo no ano passado, após aceitar o convite do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública em sua gestão.

Foto: Isaac Amorim/MJSP

Com a saída de Moro, os processos foram conduzidos temporariamente pela juíza Grabiela Hardt, responsável pela segunda condenação de Lula, no caso do sítio de Atibaia. Gabriela permaneceu no cargo até a chegada do juiz Luiz Antônio Bonat, substituto oficial de Moro, que passou a conduzir os processos no início deste mês.

Foto: Nathan D’Ornelas

Contratempos recentes

Perto de completar cinco anos, a Lava Jato sofreu alguns contratempos nas últimas semanas.

Na última quinta-feira (14), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a Justiça Eleitoral deve investigar casos de corrupção que envolvem caixa 2, além de outros crimes. Com isso, grande parte dos processos da Lava Jato deve sair do âmbito da Justiça Federal.

Na sexta-feira (15), o ministro do STF Alexandre de Moraes decidiu suspender um acordo feito entre a força-tarefa e os Estados Unidos para ressarcimento dos prejuízos causados a investidores norte-americanos pelos casos de corrupção na Petrobras.

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