Delação de Funaro cita interferência de Temer por MP dos Portos

Roger Pereira


 

O operador Lúcio Funaro disse em sua delação premiada que soube que o presidente Michel Temer pediu ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para defender interesses de empresas portuárias durante a tramitação da MP (Medida Provisória) dos Portos, em 2013. A Folha de S.Paulo divulgou, nesta sexta-feira, trechos de delação premiada do operado Lúcio Funaro. Entre os vídeos divulgados,

Funaro disse que soube da interferência de Temer na medida provisória porque Cunha lhe contou. O delator mencionou supostas relações com três empresas que operam no porto de Santos, no litoral paulista: a Rodrimar, o grupo Libra e a Santos Brasil, além da Eldorado Celulose, que pertencia ao grupo J&F, controlador da JBS, e tinha interesse em atuar em uma área própria em Santos.

“Essa MP foi feita para reforma do setor portuário e ela ia trazer um grande prejuízo para o grupo Libra, que é um grupo aliado de Cunha e, por consequência, de Michel Temer, porque é um dos grandes doadores das campanhas de Michel Temer”, disse Funaro no depoimento.

“Pela definição dessa MP, o grupo Libra não ia poder renovar mais as suas concessões portuárias. Por quê? Porque tinha vários débitos fiscais inscritos em dívida ativa. O que o Eduardo Cunha fez? Pôs dentro dessa MP uma cláusula que empresas que possuíam dívida ativa inscrita poderiam renovar seus contratos no setor portuário desde que ajuizassem arbitragem para discutir este débito tributário”, afirmou o delator.

A PGR perguntou se Temer influenciou diretamente na medida provisória. “Eu acho que ele deve ter feito pedidos para o Eduardo Cunha, que era quem estava conduzindo todo o processo, protegesse quem era do interesse deles”, respondeu.

Em outro trecho de seu depoimento, Funaro fala sobre a existência de “diversos” operadores de Temer. Ele menciona Cunha, o advogado José Yunes, amigo e ex-assessor especial do presidente, e o ex-ministro Wagner Rossi.

Ao citar os três, o corretor diz ter certeza de que eles intermediavam pagamentos a Temer. “[Em relação] Ao Cunha, tenho 110% de certeza, e do Wagner Rossi eu também tenho certeza”, afirmou.

Ele ainda apontou como operadores o coronel João Baptista Lima Filho, aposentado da Polícia Militar paulista, e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, que ficou conhecido como “deputado da mala”. Sobre os dois, contudo, Funaro disse ter ouvido de Cunha que eles atuavam como operadores do presidente.

Segundo o delator, Temer se valia de operadores distintos para atuações em esferas diferentes. “Ele não concentrava nada com uma pessoa só […] Ele não deixava nada operacionalizado a uma pessoa só. Você vê, por exemplo, que para receber dinheiro ele tinha o José Yunes, e esse eu tenho certeza, depois vim a saber do coronel Lima.”

Yunes é descrito por Funaro como administrador do dinheiro do presidente e como o responsável por “investir” a propina. “O José Yunes, além de administrar, investia a propina porque ele era dono de uma empreiteira, de uma incorporadora em São Paulo”, disse.

“Eu sei pelo Altair, sei pelo deputado Eduardo Cunha que eles entregavam dinheiro em espécie para o José Yunes.”

Para Funaro, o dinheiro recebido por Yunes era investido em imóveis da incorporadora que pertence à família do advogado, a Yuny. O operador disse ainda que, pela sua experiência de 25 anos no mercado financeiro, a maneira mais fácil de lavar dinheiro é pela aquisição de imóveis.

Confirma a matéria completa no site da Folha

 

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Repórter do Paraná Portal
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