Gleisi diz que ‘despetização’ do governo federal é ‘discurso de palanque’

Redação e Cleverson Bravo - BandNews FM Curitiba

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, respondeu, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (3), uma declaração do ministro Onyx Lorenzoni, que defendeu a “despetização” da Casa Civil. Ontem, o governo federal publicou uma portaria que exonera comissionados e cargos de confiança na pasta. Segundo o ministro, cerca de 320 pessoas foram desligadas.

“Isso tudo é retórica e discurso de palanque. Eu quero saber como eles vão governar para o povo brasileiro. O que eles têm que dizer é: quais são as medidas que vão fazer para gerar emprego e melhorar a renda do povo brasileiro. Até agora, não disseram nada sobre isso. Não disseram como vão posicionar o Brasil para fazer um melhor desenvolvimento.

A deputada eleita falou com a imprensa após visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Ela estava acompanhada pela ex-presidente Dilma Rousseff, que não se pronunciou.

“Não adiante ficar fazendo discursos verborrágicos contra um inimigo que estão criando. Eles ganharam a eleição e vão fazer o quê com o Brasil? Vão continuar brigando com o PT?”, questionou Gleisi.

Gleisi disse que não perguntou se Lula assistiu à posse de Bolsonaro. Segundo ela, a orientação do ex-presidente para a bancada é “não comprar brigas ou bater boca”, mas “defender os direitos do povo”.

Salário mínimo

Na entrevista, a deputada também afirmou que a oposição vai tentar derrubar o decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que definiu o reajuste do salário mínimo para este ano. O valor subiu de R$ 954 para R$ 998, abaixo do valor aprovado pelo Congresso Nacional, no ano passado, de R$ 1.006.

A deputada afirmou que o PT trabalha para garantir o reajuste aprovado pelo Congresso. No decreto, Bolsonaro explicou que o valor menor aprovado se deve a uma queda na estimativa da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O valor do salário mínimo é calculado com base na inflação do ano anterior e o PIB (Produto Interno Bruto) dos dois anos anteriores.

Mesmo abaixo do aprovado no ano passado, foi a primeira vez que o salário mínimo teve aumento real (acima da inflação), em três anos. Mesmo assim, Gleisi defende que o valor aprovado anteriormente seria o correto. “Foi um aumento real baseado na inflação até novembro. A lei do salário mínimo fala em 12 meses do ano anterior. Então, nós tínhamos que considerar e fazer a previsão da inflação de dezembro, foi assim que a gente sempre fez os reajustes do salário mínimo, coma  previsão do ano cheio, depois você compensa com o reajuste do ano seguinte. Espero que o Congresso Nacional tenha a dignidade de corrigir isso”.

Ela também criticou as decisões do Congresso e do presidente. “Nós apresentamos um projeto de decreto legislativo para sustar o decreto apresentado pelo Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional, que deu 16% de reajuste ao Judiciário,tem a oportunidade, agora, de mostrar que não vai tirar do pobre para fazer o equilíbrio fiscal”, disse.

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