Jair Bolsonaro assume a Presidência do Brasil

Mariana Ohde


Jair Bolsonaro (PSL) assumiu, nesta terça-feira (1), o cargo de presidente do Brasil. Ele é o 38º presidente do país, eleito com 57,8 milhões de votos no 2º turno.

Acompanhado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente deixou a Granja do Torto por volta das 14h10 em direção à primeira parada, a Catedral de Brasília. O casal, com o filho, o vereador Carlos Bolsonaro, optou por cumprir o trajeto tradicional da posse em carro aberto – o Rolls Royce modelo Silver Wraith.

Foto: Uaifoto/Folhapress

A cerimônia oficial de posse começou por volta de 14h45, em com uma sessão solene no Congresso. Na sessão, Bolsonaro prometeu “manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”. O vice-presidente, General Hamilton Mourão, também assumiu o compromisso.

Primeiro discurso

Após a leitura e assinatura do termo de posse, Bolsonaro realizou seu primeiro discurso como presidente, que começou com um agradecimento aos médicos que o atenderam após o atentado sofrido em setembro, quando foi esfaqueado durante um comício. “Primeiro, quero agradecer a Deus por estar vivo, pelas mãos dos heróis da Santa Casa de Juiz de Fora que operaram um verdadeiro milagre”, disse.

“Hoje, aqui estou, fortalecido, emocionado e profundamente agradecido a Deus, pela minha vida, e aos brasileiros que confiaram a mim a honrosa missão de governar o Brasil neste período de grandes desafios e, ao mesmo tempo, de enorme esperança”, disse.

Bolsonaro pediu o apoio dos congressistas para “reerguer a pátria” e libertá-la do “julgo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica”.

“Temos, diante de nós, uma oportunidade única de reconstruir nosso país e resgatar a esperança dos nossos compatriotas”. Segundo Bolsonaro, a superação dos desafios e o cumprimento dos objetivos será possível se ouvida a voz do povo.

O presidente também enfatizou pontos que defendeu ao longo da campanha. “Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões, e nossa tradição judaico-cristã. Combater a ideologia de gênero, conservando nossos valores. O Brasil voltará a ser um país livre das amarras ideológicas”, garantiu.

“Minha campanha eleitoral atendeu ao chamado das ruas e forjou o compromisso de colocar o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, disse. “Por isso, quando os inimigos da Pátria, da ordem e da liberdade tentaram pôr fim à minha vida, milhões de brasileiros foram às ruas. Uma campanha eleitoral transformou-se em movimento cívico, cobriu-se de verde e amarelo, tornou-se espontânea, forte e indestrutível, e nos trouxe até aqui”.

Bolsonaro também prometeu união. “Reafirmo meu compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão”.

“Daqui em diante, nos portaremos pela vontade soberana daqueles brasileiros que querem boas escolas capazes de preparar seus filhos para o mercado de trabalho e não para a militância política. Que sonham com a liberdade de ir e vir, sem serem vitimados pelo crime. Que desejam conquistar, pelo mérito, bons empregos e sustentar, com dignidade, suas famílias. Que exigem saúde, educação, infraestrutura e saneamento básico e respeito aos direitos e garantias fundamentais da nossa Constituição”.

Ele afirmou, ainda, que o “cidadão de bem merece dispôr de meios para se defender”, por ter optado, nas urnas, pelo direito à legítima defesa.

“Vamos honrar aqueles que sacrificam as suas vidas em nome da nossa segurança e da segurança de nossos familiares. Contamos com o Congresso Nacional para dar o respaldo político para os policiais realizarem seu trabalho. Eles merecem e devem ser respeitados”. Bolsonaro também garantiu estrutura para as Forças Armadas para garantir a segurança, soberania e proteção das fronteiras.

O presidente explicou que a equipe foi formada de forma técnica, sem “viés político”que “tornou o Estado ineficiente e corrupto”.

Para a economia, Bolsonaro prometeu “confiança, interesse nacional, livre mercado e eficiência”. O presidente também focou no equilíbrio das contas. Segundo ele, o governo não vai gastar mais do que o que é arrecadado e os contratos serão cumpridos. Ele também mencionou “reformas estruturantes”, que “serão essenciais para a saúde financeira e sustentabilidade das contas públicas”.

Bolsonaro enfatizou o protagonismo do setor agropecuário, que deve continuar desempenhando seu papel em “harmonia com o meio ambiente”. Ele prometeu a todos os setores “menos regulamentação e burocracia”, por meio de um pacto nacional entre sociedade e poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

“A irresponsabilidade nos conduziu à maior crise ética, moral e econômica de nossa história. Hoje, começamos um trabalho árduo para que o Brasil inicie um novo capítulo de sua história”, disse.

O presidente finalizou o discurso com o mote “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”.

Os discursos foram seguidos da execução do Hino Nacional, salva de tiros e revista de tropas. Depois, o cortejo seguiu para o Palácio do Planalto, onde a faixa presidencial é entregue.

Entrega da faixa presidencial

Bolsonaro chegou ao Palácio por volta de 17h, onde foi recebido, pelo público, com a saudação “O capitão chegou”.

Bolsonaro recebeu a faixa presidencial das mãos de Michel Temer, que deixa o cargo e se muda para São Paulo.

Pronunciamentos

Michelle Bolsonaro foi a primeira a se pronunciar, em Libras, uma inovação na cerimônia. Ela agradeceu o apoio durante a campanha e os “momentos difíceis” pelos quais Bolsonaro passou. “Agradeço a Deus essa oportunidade de ajudar as pessoas que mais precisam”, disse, afirmando que pretende ampliar o trabalho social que já desempenha há anos agora, como primeira-dama.

“A voz das urnas foi clara, o cidadão brasileiro quer segurança, paz e um país em que todos são respeitados”, disse. Ela garantiu o apoio aos desfavorecidos.

Em seu segundo discurso do dia, acompanhado pelo público presente na Praça dos Três Poderes, Jair Bolsonaro voltou a falar do atentado sofrido em setembro e enfatizou, novamente, a união e atacou ideias contrárias à sua linha de pensamento.

“É com humildade e honra que me dirijo a vocês como presidente do Brasil e me coloco diante de toda nação nesse dia, o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.

Segundo ele, as eleições deram voz a quem não era ouvido e se comprometeu com o “desejo de mudança”. “Estou aqui para renovar nossas esperanças, porque, se trabalharmos juntos, essa mudança será possível, respeitando os princípios do Estado Democrático, guiados pela nossa Constituição e com Deus no coração. A partir de hoje, vamos colocar em prática o projeto que a maioria do povo brasileiro, democraticamente, escolheu”.

Ao afirmar que o primeiro passo já foi dado, Bolsonaro disse ter sido eleito com a “campanha mais barata da história” e foi efusivamente aplaudido. “Graças a vocês, conseguimos montar um governo sem conchavos ou acertos políticos, formamos um time de ministros técnicos e capazes, para transformar nosso Brasil”.

Na sequência, o presidente voltou a atacar as “ideologias nefastas”, que, segundo ele, dividem os brasileiros. “Ideologias que destroem nossos valores e tradições, nossas famílias, alicerces da nossa sociedade”.

Ele convidou os brasileiros a iniciarem um movimento no sentido de “restabelecer padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil”.

Foto: Marcelo Camargo / Ag Brasil

Ele também garantiu o fim da corrupção e privilégios, para que o governo volte a servir os cidadãos. Bolsonaro também enalteceu a meritocracia. “O brasileiro pode e deve sonhar. Sonhar com uma vida melhor, melhores condições para usufruir do fruto do seu trabalho pela meritocracia. E ao governo cabe ser honesto e eficiente”.

Bolsonaro afirmou, ainda, que vai trabalhar para o fim da ideologia que defende bandidos e criminaliza policiais, “que levou o Brasil a viver o aumento dos índices de violência e poder do crime organizado”. Também garantiu o direito à propriedade e legítima defesa aos cidadãos.

Bolsonaro também prometeu investimentos em educação, se espelhando em nações que são “exemplos para o mundo” e encontraram, na educação, uma forma de melhorar suas realidades. Ele também prometeu acabar com abordagens ideológicas nas relações internacionais.

Bolsonaro finalizou o discurso apresentando uma bandeira do Brasil. “Essa é nossa bandeira, que jamais será vermelha. Só será vermelha se for preciso nosso sangue para mantê-la verde e amarela”.

Após o discurso, o presidente seguiu para o Salão Nobre onde recebeu os cumprimentos dos convidados e conferiu posse aos 22 ministros. O ato foi seguido da fotografia oficial. Depois, o casal Bolsonaro recebeu os convidados em um coquetel no Palácio Itamaraty.

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Repórter no Paraná Portal
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