Carne Fraca: 4ª fase apura R$ 19 milhões de propinas da BRF a auditores fiscais

Angelo Sfair e Vinicius Cordeiro

operação romanos pf BRF

A 4ª Fase da Operação Carne Fraca, chamada de Operação Romanos, foi deflagrada pela Polícia Federal desta terça-feira (1). A ação apura que a BRF (Brasil Foods), grupo empresarial do ramo alimentício, teria feito pagamentos de propina que chegam aos R$ 19 milhões para, pelo menos, 60 fiscais agropecuários federais.

Ao todo, vão sendo cumpridos 68 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Federal de Ponta Grossa. São nove estados envolvidos: Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Um dos mandados cumpridos é na empresa União Avícola, do ex-senador Cidinho Santos, do Mato Grosso. A empresa seria a responsável por intermediar os pagamentos da BRF aos fiscais.

O delegado Maurício Moscardi Grillo, coordenador da operação, ressaltou que a cooperação da BRF não é um acordo de leniência, ou seja, um acordo que a empresa ganha algum tipo de benefício.

“Está dissociado de qualquer acordo de leniência do ponto da empresa ganhar algo. É [colaboração] descompromissada de alguns ganhos que a empresa poderia ter de alguma forma”, ressaltou na entrevista coletiva realizada durante a manhã.

“Quanto as ações, a empresa queria ter conforto no sentido de não ser incomodada. Você tem uma legislação extremamente complexa e um auditor poderia causar esse tipo de situação em cada detalhe da empresa”, completou o delegado da PF, abordando das vantagens obtidas pela empresa.

PROPINA NA OPERAÇÃO ROMANOS

O nome da operação faz referência a diversas passagens bíblicas do Livro de Romanos que tratam de confissão e Justiça.

Nessa quarta fase, a BRF passou a atuar como colaboradora espontânea e indicou que ao menos 60 auditores fiscais agropecuários teriam sido favorecidos com vantagens indevidas.

Os R$ 19 milhões envolvidos eram pagos em espécie, por meio do custeio de planos de saúde e até mesmo por contratos fictícios firmados com pessoas jurídicas que representavam o interesse dos fiscais.

A prática ilegal teria sido interrompida no ano de 2017, quando o grupo passou por uma reestruturação interna.

“Hoje foco é os fiscais, mas a busca de provas e mais elementos vem exatamente no sentido de ampliar os focos da operação”, finalizou Moscardi.

 

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