“Nunca houve tanta pressão”: procuradores criticam decisões que abalaram a Lava Jato

Redação e Vanessa Fernandes - CBN Curitiba


Em coletiva de imprensa neste sábado (16), o procurador da República, Deltal Dallagnol, criticou os recentes acontecimentos que, segundo ele, “abalaram” a Lava Jato nesta semana. De acordo com o procurador, “nunca houve tanta pressão exercida sobre a Lava Jato”.

Nesta semana, dois fatos tiveram repercussão sobre a operação que completa cinco anos neste domingo (17).

Na última quinta-feira (14), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a Justiça Eleitoral deve investigar casos de corrupção que envolvem caixa 2, além de outros crimes. Com isso, grande parte dos processos da Lava Jato deve sair do âmbito da Justiça Federal.

Na sexta-feira (15), o ministro do STF Alexandre de Moraes decidiu suspender um acordo feito entre a força-tarefa e os Estados Unidos para ressarcimento dos prejuízos causados a investidores norte-americanos pelos casos de corrupção na Petrobras.

Dallagnol se pronunciou durante um ato de desagravo à força-tarefa da Lava Jato realizado pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), na sede Ministério Público Federal (MPF), em Curitiba. Ele criticou fortemente o envio de casos que envolvem caixa 2 para a Justiça Eleitoral.

“Diante dessa decisão do Supremo, precisamos reconhecer que o trabalho contra a corrupção política, que é destinada não só ao bolso dos envolvidos, mas a financiar campanhas eleitorais, não vai mais ser a mesma”, disse.

“Faremos de tudo, usaremos os melhores argumentos, técnicos e jurídicos, para defender nosso trabalho e para continuar atuando do melhor modo possível para combater a corrupção, mas precisamos reconhecer que muito saiu do nosso controle”, ajuntou.

Segundo ele, a decisão do STF pode gerar “discussões infindáveis” sobre nulidades, habeas corpus e recursos, entre outros, que criará uma “nuvem sombria de insegurança jurídica” sobre os resultados até hoje alcançados pela Lava Jato.

Ele também afirmou que a operação enfrenta um momento de tensão. “Nunca houve tanta pressão exercida sobre a Lava Jato e sobre as nossas atividades como houve nessa última semana. Quem nos pressionou, talvez tenha acreditado que isso nos enfraqueceria, mas o que a pressão fez foi nos unir. Unir os integrantes que atuam na força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e em outras instâncias do Ministério Público”, disse.

Mais cedo, nesta semana, o procurador já havia afirmado, no Twitter, que a decisão começa a “fechar a janela de combate à corrupção política que se abriu há cinco anos, no início da Lava Jato”.

Segundo o procurador, o combate à corrupção deve ser prejudicado. No ato, sete notas assinadas por integrantes de associações e conselhos de procuradores foram lidas, todas em apoio à força-tarefa.

Já sobre a suspensão do acordo, Dallagnol disse que é preciso legitimar a permanência dos recursos no país. “Com a suspensão do acordo, existe um risco de que esse dinheiro tenha que ser pago, pela Petrobras, aos Estados Unidos. Se não houver um acordo que legitime a permanência desse dinheiro no Brasil, ele terá que ser entregue às autoridades norte-americanas”, disse.

O procurador também falou sobre a criação de uma fundação para administrar estes recursos, possibilidade criticada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. “Nossa preocupação não é para onde o dinheiro será destinado. Estamos abertos a negociações. Respeitamos a decisão do STF, mas acreditamos que as informações não chegaram completas à Corte.”

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