MP deve entrar com recurso contra liberdade de Richa e outros investigados

Mariana Ohde


O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Leonir Battisti, disse, em coletiva de imprensa neste sábado (15), que o pedido de soltura do ex-governador Beto Richa (PSDB) foi “dirigido” ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o procurador, “a posição dele já era sabida” após entrevistas concedidas pelo ministro à imprensa, em que ele afirmou ser favorável à soltura.

Richa foi preso na terça-feira (11) na Operação Rádio Patrulha, que investiga desvios no Programa Patrulha do Campo, voltado à manutenção de estradas rurais. Ontem (14), a Justiça do Paraná converteu a prisão, que era temporária, em preventiva, mas, momentos depois, Gilmar Mendes acatou pedido da defesa de Richa e concedeu a liberdade.

“O Ministério Público, de qualquer sorte, vai examinar a hipóteses de recurso em face dessa decisão de salvo-conduto que foi produzido na decisão do ministro para frente”, explica. A decisão do STF se estendeu para todos os 15 investigados neste caso, ou seja, eles só poderiam ser presos após condenação definitiva.

“Naturalmente, nós não concordamos com a decisão e, repito eu, especialmente pelo fato de ter sido uma decisão proferida por um ministro escolhido por uma estratégia altamente duvidosa em termos legais, dado que não houve distribuição e ao que saibamos não foi proferida por ministro de plantão e por essa razão vamos examinar as hipóteses de recurso”, disse.

Ainda segundo Leonir, a soltura “não faz justiça aos fatos”. “Nós entendemos que ela não faz justiça aos fatos, porque o ministro está distante, e especialmente em relação ao fato objetivo que o grupo das pessoas investigadas já procurara este ano, em agosto, pessoas que poderiam ser testemunhas para que omitissem a verdade ou mentissem aos investigadores para evitar, então, a responsabilização ou apuração”.

Leonir voltou a afirmar que as medidas foram tomadas de forma imparcial e a data escolhida não tem relação com o período eleitoral. “Não há qualquer vedação legal de que se promovam medidas investigativas e até mesmo se determine a prisão, conforme determinado por juiz competente no âmbito das suas atribuições”, reforçou.

Richa é suspeito de comandar um esquema de fraude em licitação que envolve um valor de mais de R$ 70 minhões, dos quais 8% seriam destinados ao pagamento de propina a agentes públicos.

Outro lado

Ontem, ao sair da prisão, Richa negou as acusações e disse que seguirá com sua campanha. “Vou começar dizendo o que disse aos procuradores. O povo do Paraná conhece a minha vida pessoal e da da minha família, que trabalhar para esse estado, trabalha para os paranaenses. O que fizeram comigo foi de uma crueldade enorme. Eu não merecia o que aconteceu, mas estou de cabeça erguida e continuo respondendo a todas as acusações sem a menor dificuldade”, disse.

Ele também questionou a delação de Tony Garcia, que motivou as investigações. “Vale a palavra dele, ou a minha? Estou cansando neste momento, mas volto para a minha família, meus filhos, meus netos e vou retomar minha campanha”, declarou.

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Repórter no Paraná Portal
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