Defesa de Lula vai “intensificar” esforços para provar inocência após decisão do STJ

Mariana Ohde

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (23), após julgamento de recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deve continuar trabalhando para provar que Lula é inocente.

Hoje, o STJ decidiu reduzir a pena do ex-presidente no caso do triplex do Guarujá (SP), sua primeira condenação no âmbito da Operação Lava Jato, que o levou à prisão no dia 7 de abril de 2018. A redução foi para 8 anos e 10 meses prisão.

Segundo o advogado Emídio de Souza, o presidente não assistiu ao julgamento na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde está detido, mas foi informado do resultado pela defesa. O advogado afirmou que Lula não esperava “nada de positivo” do julgamento, que, segundo a defesa, é sequência do que vem acontecendo em outras instâncias.

“O julgamento de hoje é mais um capítulo de um processo totalmente político, onde não vale a prova, as provas de defesas são desconsideradas e a palavra do delator vale mais do que qualquer outra coisa”, disse.


O advogado afirmou que o ex-presidente quer provar a sua inocência e mostrar que as acusações contra ele são falsas.

“A pena tinha que ser zero, não tinha que existir, Lula não cometeu crime algum”, enfatizou. “Ele continua refém de um sistema que se criuou dentro do Judiciário brasileiro”.

Emídio de Souza também afirmou que Lula foi julgado com base “em quem ele é”. “Lula é um homem inocente. Apesar da redução, eles podem apressar outros julgamentos”, disse. “Então, não podemos achar que está resolvido. Isso tem que ser objeto de todas as lutas. Não apenas vamos continuar, mas vamos intensificar a partir daqui”, disse.

Assista ao pronunciamento:

Já o advogado Cristiano Zanin disse, em nota, que a defesa deve decorrer da decisão porque “entendemos que o único desfecho possível é a absolvição do ex-Presidente Lula porque ele não praticou qualquer crime”.

“Pela primeira vez um tribunal reconheceu que a pena aplicada ao ex-presidente Lula, tanto pelo ex-juiz Sergio Moro, como pelo TRF4, é abusiva. É pouco, mas é o início. Esperamos que as instâncias que ainda vão se manifestar sobre o caso, como o STF e também o Comitê de Direitos Humanos da ONU possam nos ajudar a reestabelecer a plenitude do Estado de Direito, isso pressupõe a absolvição do ex-presidente Lula”, disse.

Ele também lamentou que a defesa não tenha sido autorizada a participar do julgamento por meio de sustentação oral. “A garantia constitucional da ampla defesa deve prevalecer sobre qualquer disposição do Regimento Interno do Tribunal. Esse entendimento foi recentemente afirmado pelo STF ao admitir a realização de sustentação oral em agravo regimental interposto em habeas corpus”.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal
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