Ministro de Ciência e Tecnologia é alvo de operação da PF

Mariana Ohde


A Polícia Federal cumpre, nesta quarta-feira (19), oito mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio Grande do Norte. Eles foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e um dos alvos da ação é o ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab.

Kassab é ex-prefeito de São Paulo (2010 a 2016) e foi indicado para a Casa Civil no governo de João Doria (PSDB).

Os alvos são quatro pessoas físicas e três empresas – como a decisão judicial estabeleceu sigilo até o cumprimento total das medidas, a relação de nomes não foi divulgada. As pessoas envolvidas são investigadas pelos crimes de corrupção passiva e falsidade ideológica eleitoral. As investigações têm como base as delações de Wesley Batista e Ricardo Saud, executivos da J&F.

O objetivo é apurar o pagamento de propina a Kassab quando ele ainda estava na prefeitura de São Paulo. Segundo a PF, os valores teriam sido pagos pela empresa em troca da defesa política de interesses da empresa e também para direcionar o apoio político na campanha presidencial de 2014. A suspeita é a de que os valores eram recebidos por empresas por meio da simulação de serviços que não foram efetivamente prestados e para os quais foram emitidas notas fiscais falsas.

Parte dos recursos foi repassada para campanha de um candidato ao governo do Rio Grande do Norte e a um deputado federal, ambos eleitos.

Investigação

Na petição que motivou a operação, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirma que os colaboradores informaram ter repassado R$ 58 milhões ao ministro, em duas situações distintas.

Uma delas ocorreu entre 2010 e 2016, período em que o político teria recebido R$ 350 mil mensais, alcançando, ao todo R$ 30 milhões. O objetivo dos pagamentos era contar com poder de influência do ministro em “eventual demanda futura de interesse do referido grupo”.

Para viabilizar os repasses, os envolvidos celebraram contrato fictício de prestação de serviços com uma empresa do ramo de transportes que possuía relação comercial com a J&F.

Em relação ao segundo fato apurado, conforme declaração dos empresários, foram pagos R$ 28 milhões ao diretório Nacional do PSD, na época, presidido por Gilberto Kassab.

Como contrapartida, a legenda teria apoiado o Partido dos Trabalhadores (PT) na disputa nacional de 2014. Segundo um dos colaboradores, todos os valores repassados eram provenientes de uma espécie de conta-corrente de vantagem indevida vinculada ao PT, que teria autorizado os pagamentos.

Neste caso, o repasse foi operacionalizado por meio de doações oficiais de campanha e outros artifícios como a quitação de notas fiscais falsas. Também há registro da entrega de dinheiro em espécie.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal