Fernanda Richa é denunciada na Lava Jato

Redação

28/02/2018 - Beto Richa e Fernanda participam do lançamento ofi

Fernanda Richa, esposa do ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), foi incluída em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), no final de janeiro, contra o marido, o filho do casal, André Richa, e o contator da família, Dirceu Pupo. Ela foi acusada nesta segunda-feira (11). As acusações fazem parte da Operação Lava Jato e tratam de lavagem de dinheiro proveniente de propinas pagas por uma concessionária que administrava trechos de rodovias no Paraná – esquema investigado nas fases Integração e Piloto.

A denúncia que envolve Fernanda tem, como base, a compra de um terreno no Condomínio Paysage Beau Rivage, em Curitiba, em 2012. O valor anunciado era de cerca de R$ 2 milhões, dos quais cerca de R$ 900 mil foram pagos em espécie. O valor seria proveniente de propina. O MPF afirma ainda que o valor total da compra foi de R$ 1,950 milhão, mas que na escritura aparece o valor de R$ 505 mil.

Após a compra, o imóvel foi registrado em nome da empresa Ocaporã Administradora de Bens, que estava no nome de Fernanda Richa e seus filhos. Segundo a denúncia, Beto Richa não está no quadro societário da Ocaporã mas seria ele quem ditava ordens.

“Identificou-se que um dos destinos de parte da corrupção recebida por Beto Richa era a incorporação do dinheiro, de forma dissimulada/oculta, ao patrimônio de seus familiares, mediante atos de lavagem de dinheiro consistentes na aquisição de imóveis em nome da empresa Ocaporã Administradora de Bens, por intermédio de subfaturamento dos valores declarados no ato da compra e pagamento oculto e não declarado de parcelas em espécie aos vendedores”, disse o MPF, na ocasião.

Segundo a força-tarefa, desde o início existiam indícios da participação de Fernanda Richa no crime. Contudo, segundo os procuradores, num primeiro momento, eram necessários mais esclarecimentos sobre a sua participação nos fatos.

Em petição nos autos da prisão de Beto Richa, a ex-primeira dama assumiu abertamente a atuação conjunta com seu marido no caso da compra do terreno de luxo, o que, no entender do MPF, contribuiu para fortalecer o quadro probatório.

O MPF destaca que dentre as provas que apontam para a sua responsabilidade, estão e-mails trocados com Dirceu Pupo sobre os terrenos que foram dados como parte do pagamento na negociação que é objeto da denúncia. Na ocasião, informou ao contador que “veria com Beto” o anúncio dos lotes, o que mostra que atuou junto com seu marido na prática do crime, sendo dele a palavra final na negociação.

Na apresentação da denúncia original, em janeiro, o MPF afirmou que iria prosseguir com as investigações para elucidar a participação de Fernanda Richa no esquema. “Embora existam indícios da participação da investigada Fernanda Richa no presente caso, neste momento o MPF entende oportuna a continuidade da investigação em relação a esta pessoa para melhor elucidar sua participação nos fatos”, afirma a denúncia.

Essa foi a segunda denúncia de autoria do MPF contra Beto Richa, no esquema de pagamento de propina envolvendo contratos de pedágio. Beto Richa foi preso preventivamente no dia 25 de janeiro, no âmbito da Operação Integração. Ele foi solto uma semana depois, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

OUTRO LADO

Em nota, a defesa de Fernanda Richa disse que “o Ministério Público Federal acusou o próprio filho do ex-governador para atingi-lo. Após, o protesto de Fernanda, resolve acusá-la também. É evidente a situação de excesso de acusação e profunda injustiça. A defesa de Fernanda Richa confia no poder judiciário, que certamente saberá evitar que maiores prejuízos se produzam, pois não cometeu qualquer ilegalidade e refuta as acusações falsas criadas contra ela”.

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