Política
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TSE convoca representantes dos candidatos à Presidência e pede paz

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, se reuniu ontem (17) com representantes das candid..

Jonas Valente - Repórter da Agência Brasil - 18 de outubro de 2018, 06:44

Foto: TSE
Foto: TSE

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, se reuniu ontem (17) com representantes das candidaturas de Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) para discutir a difus√£o massiva de not√≠cias falsas e a onda de viol√™ncia durante as elei√ß√Ķes.

O tribunal vem colocando preocupa√ß√Ķes com a dissemina√ß√£o de conte√ļdos colocando em d√ļvida o sistema de vota√ß√£o e apura√ß√£o nestas elei√ß√Ķes. Participaram do encontro tamb√©m os ministros Lu√≠s Roberto Barroso e Edson Fachin.

Segundo representantes das candidaturas, que falaram a jornalistas ao fim do encontro, os ministros do TSE mostraram preocupa√ß√£o com os conte√ļdos enganosos e casos de agress√£o. Rosa Weber teria feito um apelo para que a campanha ocorra em clima de paz e para que os candidatos incentivem apoiadores a fazer uma campanha pac√≠fica.

Em rela√ß√£o a conte√ļdos colocando em d√ļvida a lisura do processo eleitoral, os ministros defenderam a seguran√ßa das urnas eletr√īnicas e do sistema de vota√ß√£o. Mas, conforme os relatos, n√£o houve resolu√ß√£o ou encaminhamentos concretos, apenas recomenda√ß√Ķes dos ministros.

‚ÄúAs sugest√Ķes foram no sentido de que n√≥s comunic√°ssemos aos nossos clientes para que continuassem se esfor√ßando para que houvesse cada vez mais a instru√ß√£o dos eleitores para que se evite qualquer atitude que possa ser considerada viol√™ncia. Embora n√≥s tenhamos dito que isso foge ao controle de qualquer candidato. A viol√™ncia existe, √© um fen√īmeno no Brasil, e n√£o se pode atribuir isso a um candidato‚ÄĚ, relatou o advogado da candidatura de Jair Bolsonaro, Tiago Ayres.

Sobre as notícias falsas, o advogado da candidatura de Jair Bolsonaro acrescentou que o tema preocupa o político e sua campanha, que também estariam sendo alvos de mensagens deste tipo. Ele citou como exemplo as mensagens atribuindo ao deputado voto contra a Lei Brasileira de Inclusão, suspensas pelo TSE após questionamento da candidatura.

O coordenador da campanha de Fernando Haddad, Emídio Souza, informou que os representantes da candidatura pediram providências do TSE e de órgãos como a Polícia Federal em relação à disseminação de notícias falsas sobre o candidato do PT e da onda de violência que atribuiu aos apoiadores de Jair Bolsonaro.

‚ÄúA dissemina√ß√£o de fake news, desta forma, deforma a democracia, altera o resultado eleitoral. N√£o √© poss√≠vel que a Justi√ßa assista impass√≠vel tamanha agress√£o √† democracia‚ÄĚ, pontuou o coordenador. Sobre os atos de viol√™ncia, Souza informou que solicitou um pronunciamento da presidente do TSE em defesa do bom senso. ‚ÄúN√£o √© poss√≠vel tamanha agressividade nesta campanha‚ÄĚ. N√£o houve resposta sobre o pleito, segundo ele.

Fen√īmeno eleitoral

O fen√īmeno das not√≠cias falsas vem marcando as elei√ß√Ķes deste ano. A miss√£o internacional da Organiza√ß√£o dos Estados Americanos (OEA) manifestou preocupa√ß√£o com o fen√īmeno da desinforma√ß√£o durante o 1¬ļ turno e elogiou a seguran√ßa das urnas. No balan√ßo da vota√ß√£o do 1¬ļ turno, a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, tamb√©m alertou para o problema, em especial, v√≠deos e mensagens colocando em d√ļvida a lisura do processo eleitoral.

Nos √ļltimos dias, o TSE mandou retirar publica√ß√Ķes falsas contra a candidatura de Haddad tratando da distribui√ß√£o do que passou a ser chamado de kit gay. Na segunda (15), nova decis√£o ordenou a retirada de v√≠deos relacionando a candidata a vice, Manuela d‚Äô√Āvila √† hipersexualiza√ß√£o de crian√ßas. Ontem, o ministro S√©rgio Banhos barrou propaganda contra Bolsonaro segundo a qual o candidato do PSL teria votado contra a Lei Brasileira de Inclus√£o (LBI).

WhatsApp

A rede social WhatsApp tem sido o foco de maior preocupação. Estudo divulgado hoje por professores da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e integrantes da Agência Lupa que acompanhou 347 grupos na plataforma encontrou entre as imagens mais compartilhadas um índice de apenas 8% de caráter verdadeiro.

Ontem, o conselho consultivo do TSE para not√≠cias falsas realizou reuni√£o √† dist√Ęncia com representantes da plataforma de troca de mensagens WhatsApp. O objetivo foi discutir formas de garantir o alcance de respostas diante da divulga√ß√£o de not√≠cias falsas dentro da rede social.

A videoconfer√™ncia foi uma provid√™ncia decidida em reuni√£o realizada na semana passada. Integrantes do colegiado manifestaram receios em rela√ß√£o √† dissemina√ß√£o de not√≠cias falsas na plataforma, especialmente mensagens e v√≠deos colocando em d√ļvida a lisura do processo eleitoral e apontando supostas fraudes nas urnas.

Uma das preocupa√ß√Ķes manifestadas por integrantes do √≥rg√£o ap√≥s o encontro foi como encontrar meios para garantir que desmentidos e direitos de resposta alcan√ßassem no WhatsApp usu√°rios atingidos pelas mensagens iniciais, objetivo que √© conseguido em redes como Facebook e Twitter.

Segundo o vice-procurador eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, o WhatsApp se prop√īs a disponibilizar ferramentas ao TSE j√° adotadas por ag√™ncias de checagem de conte√ļdos enganosos e fabricados. Mas o vice-procurador n√£o detalhou que sistemas poder√£o ser aplicados e qual a serventia deles.

De acordo com Jacques de Medeiros, os representantes da plataforma relataram encontrar ‚Äúdificuldades‚ÄĚ para aplicar a metodologia de outras redes sociais, como mecanismos de checagem de fatos (como no Facebook e no Google) e possibilidades de veicula√ß√£o de direito de resposta aos mesmos usu√°rios alcan√ßado pelas mensagens originais consideradas falsas. O WhatsApp estaria ‚Äúaqu√©m disso‚ÄĚ, nas palavras do procurador.