Política
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A política reprime o bem e potencializa o mal, diz ministro Barroso durante Congresso em Curitiba

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso disse, nesta sexta-feira (15), que o sistema político ..

Francielly Azevedo - 15 de junho de 2018, 20:29

Foto: Francielly Azevedo
Foto: Francielly Azevedo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso disse, nesta sexta-feira (15), que o sistema político brasileiro produziu um “perigoso descolamento entre a classe política e a sociedade civil”. De acordo com Barroso, o problema está justamente no sistema e não nos políticos. O ministro foi um dos palestrantes do VI Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral, realizado em Curitiba.

Barroso falou sobre reforma política e destacou que o principal ponto para conseguir mudar o cenário efetivamente é “baratear a política”.  Segundo ele, o modelo de financiamento por empresas que o país tinha era “absolutamente inaceitável por violação a moralidade administrativa e a decência política mínima”, já que a empresa poderia pegar, por exemplo, dinheiro emprestado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e financiar um candidato. “Portanto usava-se dinheiro público em proveito próprio”, ressaltou.

Outro ponto é que, no modelo antigo de financiamento de campanha, as empresas podiam financiar mais de um candidato. “Como aconteceu da mesma empresa financiar a campanha da candidata Dilma, do candidato Aécio e de Marina. Se está financiando três candidaturas não está exercendo o direito político para quem acha que empresa tem direito político. Está sendo achacada ou comprando favores políticos futuros”, afirmou.

Barroso declarou ser a favor do financiamento por pessoa física com um valor máximo determinado. “A política precisa deixar de ser subsidiada, ela precisa mobilizar os corações. Se isso não acontece, é porque o sistema está errado”, explicou.

O ministro também destacou que é preciso rever o sistema de quociente eleitoral, que é o método pelo qual são distribuídos os votos em uma eleição de maneira proporcional garantindo mais cadeiras para um partido nos poderes legislativos. “Menos de 10% dos deputados são eleitos por votação própria. Nesse sistema, o eleitor vota em quem ele quer, mas no fundo elege quem ele não sabe. Portanto temos um sistema que o eleitor não tem de quem cobrar e o candidato para quem prestar contas, porque não sabe quem o colocou lá”, disse.

Barroso voltou a dizer que o problema está no sistema e não nos políticos. De acordo com ele, as pessoas que vão para a política, saem da mesma sociedade civil em que foram recrutados médicos, juristas e assim por diante. “Eu acredito que existe o bem e o mal. O normal é nós reprimirmos o mal e potencializamos o bem. A política faz exatamente o contrário, ela reprime o bem e potencializa o mal”, opinou.