Política
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Agronegócio pode ajudar o Brasil a superar a crise, afirmam especialistas

O agronegócio pode ajudar o Brasil a se recuperar da crise política. Essa é a análise do professor Roberto Rodrigues, da..

19 de maio de 2017, 08:05

O agronegócio pode ajudar o Brasil a se recuperar da crise política. Essa é a análise do professor Roberto Rodrigues, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em entrevista ao Notícias Agrícolas.

Segundo o professor, a divulgação de denúncias envolvendo o presidente Michel Temer, o senador afastado Aécio Neves, entre outros políticos, deve afetar a economia brasileira de "maneira dramática". De acordo com ele, as reformas que vinham sendo encaminhadas por Temer e que são "essenciais para o país", como a reforma da Previdência e a trabalhista, que deveriam avançar para a reforma política e tributária, devem ser afetadas.

"A delação jogou um véu sobre a questão das reformas. Resta saber o quão profundo será o efeito das delações sobre as reformas", diz. Para o professor, deve haver, ao menos, uma desaceleração dos processos.

Outro impacto significativo para o agronegócio deve ser a questão do Plano Safra. "Estamos saindo de uma safra recorde em termos de volume, mas não em renda, pois os preços estão caindo. O plano teria um papel fundamental", explica.

"Tudo caminhava para uma taxa de juros de um dígito, caminhávamos com posição favorável, inflação e juros caindo, reformas. Esse fatos todos são um eventual percalço que, sem dúvida, terá um aumento de custo para o produtor rural", diz.

Otimismo para o agronegócio

Mas, apesar dos efeitos negativos, Roberto Rodrigues está otimista. ""Sofreremos também, mas, se há um setor que pode reagir, é o nosso", diz. O professor lembra a reação do setor em outros momentos de crise recentes, como a Operação Carne Fraca. "O setor tem capacidade de responder às crises e sair delas com vigor. Acredito que, mais uma vez, o agronegócio, neste ano, fará isso".

De acordo com o professor, o Brasil tem estimativa de crescimento em torno de 0,5% e o agronegócio seria responsável por 90%. "Isso não muda", diz, "O agronegócio continua sendo a âncora desse país".

Porém, é preciso cautela. "O agronegócio vai bancar a saída do país da crise. Precisamos de mão firme na direção e olho firme na estrada", afirma. Na análise do professor, o produtor deve estar ligado às entidades de classe, que devem estar atentas aos acontecimentos e articuladas. "Precisamos de timoneiros e não de aventureiros".

"Este é um momento em que o indivíduo isolado é uma vítima fatal", diz.

Veja a entrevista na íntegra: