Aldo Rebelo diz que não está no Solidariedade por acaso

Roger Pereira

Depois de 40 anos no PC do B e sete meses no PSB, o ex-ministro e ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo pretende disputar a Presidência da República pelo Solidariedade (SD). Apesar de o partido, presidido por Paulinho da Força estar ideologicamente distante da histórica militância de esquerda do ex-deputado, ele disse, nesta segunda-feira, em Curitiba, não haver contradição na escolha que fez.

“Recebi o convite do Solidariedade para disputar a presidência pelo partido. É um partido com quem já tinha uma afinidade grande também, por causa da presença de trabalhadores do movimento sindical. Eles tinham assinado meu manifesto em defesa da união nacional. Eles apoiaram meu relatório sobre o código florestal. Então foi muito natural, porque havia uma afinidade de agenda que justifica minha candidatura pelo Solidariedade”, afirmou à repórter Francielly Azevedo, da CBN Curitiba.

Rabelo justificou suas duas trocas de partido nos últimos meses às mudanças de agenda das legendas a que estava filiado. “Eu tinha convite do PCdoB para ser candidato a presidente, mas tinha divergência em torno da agenda. Eu tenho uma formação nacionalista. Quando entrei no partido, há 40 anos, a agenda da esquerda era uma agenda muito nacionalista. Mas, depois, isso foi mudando. A agenda foi privilegiando os critérios ideológicos da identidade, o politicamente correto, e eu fui me afastando dessa agenda, me concentrando na questão nacional. E, para evitar um debate desgastante, preferi me afastar”, disse. “Fui para o PSB pela afinidade que tinha com Arraes, com Eduardo Campos, mas, quando vi a inclinação do partido pela candidatura do Joaquim Barbosa, preferi sair, porque não era essa agenda que me interessava”, acrescentou.

Na discussão sobre a polarização do processo eleitoral entre a esquerda e a extrema direita e a pulverização de candidaturas de centro, o ex-deputado diz ser ele o nome capaz de aglutinar lideranças de todas as correntes ideológicas para “salvar” o Brasil. “Vou ser um candidato que vai defender uma ampla união de forças políticas, sociais e econômicas, em torno da bandeira da retomada do crescimento da economia, do desenvolvimento do Brasil, da redução das desigualdades sociais, da defesa do direito dos trabalhadores, em defesa da democracia. E acho que essas bandeiras podem reunir forças políticas de centro, e de esquerda. Não tem que ser necessariamente uma candidatura de direita, de esquerda, de centro. O Brasil precisa unir muitas forças para sair da situação de dificuldade que se encontra”


O ex-ministro refuta a afirmação de que sua candidatura seria mais uma postulação de centro, o que acabaria facilitando a polarização que ele diz combater. “Não há risco de polarização. O caminho natural é a reunião de forças em torno de uma candidatura que reúna as condições não apenas de liderar o Brasil num momento difícil. O presidente vai enfrentar um congresso com baixa taxa de renovação, com muitos desafios. Isso precisa de maturidade, de força, de flexibilidade e de capacidade de negociação e de liderança”, disse. “O Brasil precisa aproveitar a oportunidade que a sucessão presidencial oferece para sair do impasse das dificuldade em que se encontra. Dependendo da escolha, ao invés de sair, o país pode se aprofundar ainda mais nos problemas que estamos enfrentando”, prosseguiu.

Ele nega que esteja disponível para negociar compor uma outra chapa. “Não é nosso plano compor chapa. Já temos até oferta de partidos que querem indicar o vice para a chapa que vou encabeçar, mas é uma coisa para a Copa do Mundo”.

Questionado se concederia indulto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi ministro e aliado histórico, Rebelo desconversou. “Isso não é o debate que está posto agora. Lula está recorrendo ao judiciário, inclusive para ser candidato a presidente. A discussão deste tema agora nao ajuda em nada o país a encontrar o rumo, não diria perdido, mas quase perdido.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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