Alvaro Dias questiona Dilma se impeachment de Collor foi golpe

Andreza Rossini


O senador Alvaro Dias (PSDB) foi o terceiro paranaense a questionar a presidente afastada Dilma Rousseff na sessão desta segunda-feira (29), no Senado Federal, no julgamento do impeachment. Em seu discurso. Dias discordou do argumento de Dilma, e da defesa, que alegam que o processo de afastamento é um golpe, já que não há nenhum crime comprovado contra a presidente.

Veja o discurso do senador Alvaro Dias (PSDB)

“Volto ao pronunciamento inicial da presidente Dilma Rousseff, retoricamente bem elaborado, os cumprimentos ao redator, mas em vários momentos a realidade cedeu lugar a ficção. Eu inicio pela ficção do golpe. Senador Cássio Cunha Lima fez referência ao caso de que o golpe não existiu por que o apelo pelo processo de impeachment nasceu nas ruas do Brasil. Eu concordo com ele. Brasileiros com ervas benditas dos campos e das cidades enchendo as ruas deste país apelaram por mudança tendo como ponto emblemático o impeachment da presidente da República. Evidentemente o que o povo brasileiro deseja não é apenas o afastamento de  quem preside o Brasil, deseja muito mais, deseja a substituição desse perverso modelo de governança, de balcão de negócios, do aparelhamento do estado, do loteamento dos cargos públicos, verdadeira usina de escândalo de corrupção, verdadeira matriz de governo que tornou suprapartidário e foi clonado e transplantado para muitos estados e municípios deste país.

É isso que deseja o povo brasileiro, a presidente Dilma insinuou a hipótese de que por trás dos movimentos que levaram milhares às ruas existia algo, nós contestamos por que os brasileiros foram às ruas motivados por movimentos populares que hoje aqui se encontram, que dispensaram inclusive políticos e representantes dos partidos políticos e entidades representativas da sociedade. Organizaram-se espontaneamente pelas redes sociais, inundaram as ruas desse país para transparecer a indignação pela corrupção desse país, que golpe é esse? Processo de impeachment é decorrência do golpe contra a constituição do país, é decorrência desse atentado contra a constituição brasileira e essa afronta ao Congresso Nacional. Um poder vilipendiado pelas ações do executivo, que muitas vezes o transformou em verdadeiro almoxarifado a sua disposição. 

Que golpe estamos vivendo? Eu pergunto a presidente Dilma e gostaria que ela não se esquecesse de responder a essas perguntas. O impeachment do presidente Collor foi golpe? A posse do presidente Itamar Franco foi uma eleição indireta? Essa é uma pergunta essencial. Em relação, senhor presidente, aos decretos, ao crime de responsabilidade praticado pela presidente com dolo, porque desde as prestações de contas em 2012 o Tribunal de Contas alertava para as ressalvas de irregularidades que vinham sendo praticadas. Especialistas escreviam sobre a contabilidade criativa, a mágica fiscal, a manipulação dos números e a presidente levantou suspeição e eu gostaria que ela também respondesse essa indagação em relação ao procurador do Ministério Público de Contas e também ao auditor e dos conselheiros do Tribunal de Contas. Queria saber se vossa excelência também irá tomar alguma providência judicial.

Outro ponto que a realidade cedeu lugar à ficção foi quando vossa excelência falou do sucesso de seu governo. Para nós o seu governo foi um rotundo fracasso, nos levou à resseção.  

Dilma respondeu que a questão do golpe já foi esplanada em diversos momentos de seu interrogatório e que o golpe parlamentar é bem descrito por diversos cientistas políticos. Dilma também ressaltou que nunca interferiu em movimentos de ruas que pediam seu impeachment e aproveitou para cutucar seu provável sucessor, pelas proibições de manifestações nos jogos olímpicos. “Nunca deixei de ouvir as ruas, mas não posso acreditar que esse processo surge da rua. Esse processo é obra de Eduardo Cunha. Este é uma tentativa de golpe de Eduardo Cunha que começa com ele fazendo uma chantagem explícita ao nosso governo, que nós não aceitamos. Esse é um fato inarredável, comprovado”, declarou.

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