Alvaro Dias vê Lula fora da disputa, mas não vai buscar seus votos

Roger Pereira


Em passagem por Curitiba, onde participou de palestra organizada pelas federações do setor produtivo do Paraná, como as federações da indústria, do comércio e da agricultura, o senador Alvaro Dias, pré-candidato do Podemos à presidência da República, disse não ver possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser seu adversário nas eleições de outubro. Para ele, Lula está inelegível e deve ser preso.

“Eu sou favorável ao Estado de direito democrático. Se é para valer, a legislação tem que ser cumprida e se a legislação é cumprida, você sabe qual é o destino. Condenação em segunda instância é prisão. Condenação por órgão colegiado, é inelegibilidade. Então, eu não tenho o que dizer, o que diz é a lei”, disse o senador. “É o Estado de direito democrático. Nós temos que levar a sério o País. O Brasil não pode ser essa brincadeira. Estamos sobre a égide do Estado Democrático de Direito, então, mas normas estabelecidas devem ser respeitadas, por todos e para todos. Somos todos iguais perante a lei. Mas para que isso ocorra, de fato, precisamos acabar com o foro privilegiado”, acrescentou.

Questionado se tem uma estratégia para atrair para sua candidatura as intenções de voto do petista (que hoje lidera as pesquisas), Alvaro disse que não tem que buscar um perfil específico de eleitor. “Não temos que ir atrás deste ou daquele eleitor. Temos que colocar a nossa proposta, que é de ruptura com esse sistema. Este é um sistema corrupto e incompetente. É a fábrica dos escândalos de corrupção, é a matriz dos governos incompetentes, foi instalado em Brasília, mas foi transplantado para estados e municípios, distribuindo a corrupção e a incompetência. A substituição deste sistema é o que chamo de refundação da República. E sem essa refundação o Brasil não alcançará os índices de desenvolvimento econômico e social condizentes com sua riqueza e suas potencialidades”, disse.

Alvaro afirmou, no entanto, que manterá esforços para aumentar seu reconhecimento nas regiões Norte e Nordeste, onde Lula tem grande popularidade e Alvaro não consegue se destacar. “Hoje eu vim de Fortaleza. Semana passada, estava em Aracajú. Temos alguns meses para que a nossa mensagem possa chegar a todos os brasileiros. Temos esperança que essa eleição seja diferente. Não é uma eleição das estruturas partidárias. É uma eleição do conceito, da imagem, da história. É uma eleição que vai levar em conta o passado vivido por cada um dos pretendentes: administrou a coisa pública algum dia? E como foi seu desempenho? Onde vocês estava quando o Brasil foi assaltado? Essas perguntas não faltarão e o eleitor levará em conta essas respostas”, afirmou.

Confrontado com os números das pesquisas, em que Lula, que ele aponta como o maior representante deste modelo que ele promete combater, lidera, Alvaro ponderou que “pode ser que um terço da população ainda acredita nesse discurso, mas um terço não ganha a eleição. Creio que a campanha vai proporcionar o debate e, certamente, todas as questões serão esclarecidas, para que cada cidadão, mesmo esse um terço que ainda não se convenceu, possa compreender que esse não é o caminho que o Brasil quer trilhar. Nós temos que trazer o Brasil de volta. Arrancar das mãos dos que o assaltaram nos últimos anos e devolver à população brasileira”.

Alvaro também disse não temer o crescimento do populismo de direita, representado pelo deputado Jair Bolsonaro, como principal corrente de oposição ao projeto petista. “Eu acho que a sociedade é plural e há espaço para todas as vertentes ideológicas, que devem ser respeitadas. Mas temos a noção exata de que o espectro maior ideológico no Brasil está ao centro. Então, haverá uma convergência para o centro e o candidato de centro acabará levando a melhor”, afirmou.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal