André Mendonça é nomeado por Bolsonaro e substitui Moro como ministro da Justiça

Vinicius Cordeiro

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André Luiz de Almeida Mendonça é o novo ministro da Justiça e Segurança Pública. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (28). Com isso, André Mendonça é o substituto escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro ao cargo que era ocupado por Sergio Moro.

André Mendonça é ex-advogado-geral da União e é um dos nomes cogitados por Bolsonaro a ganhar um cargo no STF (Supremo Tribunal Federal). Em julho de 2019, o presidente definiu Mendonça como “terrivelmente evangélico”.

O Supremo terá pelo menos uma nova vaga – que deve ser preenchida por indicação presidencial – ainda neste ano. Marco Aurélio Mello, 73 anos, deve se aposentar em breve, mas corre por fora. Celso de Mello completa 75 anos no dia 1 de novembro, idade máxima para se aposentar.

Além de advogado, o novo ministro da Justiça e Segurança Pública também é pastor na Igreja Presbiteriana Esperança, em Brasília.

Entretanto, existia uma expectativa pela nomeação de Jorge Oliveira, que já ocupa uma função importante no governo federal. Ele atuou na subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, mas foi nomeado ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República em junho de 2019.

Ele é formado em Direito e é major da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal no Colégio Militar de Brasília. Além disso, também atuou como assessor parlamentar de Jair Bolsonaro e foi chefe de gabinete de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Jair, na Câmara dos Deputados. Por fim, Jorge Oliveira também foi padrinho de casamento de Eduardo, ou seja, é amigo pessoal da família.

Contudo, foi preterido por André Mendonça.

ANDRÉ MENDONÇA OCUPA VAGA DEIXADA POR MORO NO MJ

André Mendonça assume a chefia o Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado até a última sexta-feira (24) por Sergio Moro.

Moro decidiu pedir demissão após a exoneração de Maurício Valeixo da diretoria-geral da PF (Polícia Federal). Valeixo era homem de confiança e uma espécie de braço direito de Moro desde que os dois trabalhavam em Curitiba. Contudo, o trabalho do diretor da PF não agradou Bolsonaro, que optou pela troca por Alexandre Ramagem.

Contudo, a troca foi o estopim no relacionamento entre Moro e Bolsonaro. Além de anunciar demissão, Moro saiu acusando Bolsonaro. Segundo o ex-juiz federal, o presidente quis interferir politicamente na Polícia Federal para influenciar investigações.

“O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, colher informações, relatórios de inteligência. E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”, relatou Moro.

Além disso, também destacou que Bolsonaro havia prometido ‘carta branca’ para atuar como ministro.

A resposta de Bolsonaro veio durante a tarde. O presidente acusou Moro de tentar trocar o comando da PF por uma vaga no STF. “É desmoralizante, para um presidente, ouvir isso. Mais ainda, externar. Sergio Moro, o senhor disse que tinha uma biografia a zelar. Eu tenho um Brasil a zelar”, rebateu Bolsonaro.

Contudo, Moro negou e divulgou prints de conversas com Bolsonaro e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Nessas mensagens, a deputada tenta convencer o ex-ministro a ficar no governo federal e que iria convencer o presidente da indicação ao STF. Contudo, Moro responde: “prezada, não estou à venda”.

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Mensagem da conversa entre Moro e Zambelli. (Reprodução/TV Globo)

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