ANPR nega uso político do MPF em investigação contra Witzel

Angelo Sfair

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O presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), Fábio George Cruz da Nóbrega, rebateu nesta sexta-feira (28) as acusações do governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). Alvo da Operação Trin in Idem, o político atribuiu a investigação a um “possível uso político” do MPF (Ministério Público Federal).

Em nota, Nóbrega afirma que o trabalho dos membros do MPF é realizado com lisura, seriedade e respeito às regras legais. Além disso, destacou que a investigação foi submetida ao Poder Judiciário. Foi o ministro Benedito Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o responsável por determinar o afastamento de Witzel do governo do Rio de Janeiro.

“A Operação Tris in Idem revelou grave esquema de desvios de recursos públicos operado no governo do Rio de Janeiro, dinheiro esse que deveria ser destinado, principalmente, ao combate à pandemia de Covid-19, doença que, até o presente momento, já custou a vida de quase 16 mil pessoas naquele estado”, afirmou, em nota, o presidente da ANPR.

De acordo com Fábio George Cruz da Nóbrega, além da delação premiada do ex-secretário de Saúde Edmar Santos, as acusações feitas pelo MPF perante o Superior Tribunal de Justiça foram validadas por provas documentais obtidas nas operações Favorito e Placebo.

“A tentativa de politizar ou desacreditar o trabalho desenvolvido pelo MPF merece ser veementemente rechaçada, com o devido desagravo a todos os colegas que contribuíram para mais um exemplar trabalho desenvolvido contra a corrupção no país”, completou.

AFASTADO, WITZEL NEGA DELAÇÃO DE EX-SECRETÁRIO E ACUSA MPF

O MPF investiga um suposto esquema de corrupção no Rio de Janeiro. Os procuradores apuram suspeitas de fraude em compras da área da saúde durante a pandemia do coronavírus. As ações desta sexta-feira (28) são um desdobramento da Operação Placebo, que investiga crimes de corrupção em contratos do Executivo fluminense.

“O grupo criminoso agiu e continua agindo, desviando e lavando recursos em pleno pandemia da covid-19, sacrificando a saúde e mesmo a vida de milhares de pessoas, em total desprezo com o senso mínimo de humanidade e dignidade, tornando inafastável a prisão preventiva como único remédio suficiente para fazer cessar a sangria dos cofres públicos, arrefecendo a orquestrada atuação da ORCRIM [organização criminosa]”, despachou o ministro Benedito Gonçalves, do STJ.

O MPF pediu a prisão do governador do Rio de Janeiro. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que o afastamento do cargo por 180 dias era o suficientes para que Wilson Witzel não atrapalhasse as investigações.

O político reagiu, e se disse vítima do uso político do Judiciário: “Simplesmente mais um circo sendo realizado. Lamentavelmente a decisão do sr. Benedito [Gonçalves, ministro do STJ], induzido pela procuradora na pessoa da doutora Lindora [Araújo, da PGR], está se especializando em perseguir governadores e desestabilizar os estados com investigações rasas, buscas e apreensão preocupantes. Eu e outros governadores estamos sendo vítimas do possível uso político da instituição”, disse em pronunciamento.

A Operação Trin in Idem também culminou na prisão de Pastor Everaldo. Presidente do PSC, o pastor-político sempre esteve no núcleo do poder no Rio de Janeiro. Ele também é lembrado por ter “batizado” o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) — que é católico — nas águas do Rio Jordão, em Israel, em 2016, quando o político iniciava a aproximação com os evangélicos.

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