Provem corrupção e irei a pé até a delegacia, diz Lula

Fernando Garcel


Após a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) formalizada contra sua esposa e outras seis pessoas, Lula marcou para esta quinta-feira (15) uma coletiva de imprensa para dar sua versão dos fatos apresentados pelo procurador Deltan Dallagnol que o apontou como “comandante máximo do esquema de corrupção da Petrobras“.

Durante o discurso, Lula se emocionou ao dizer que “tem orgulho de andar de cabeça erguida” e contar sobre a infância.

Antes de subir para discursar, o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Falcão, afirmou que o procurador Deltan Dallagnol “protagonizou junto com sua turma um grotesco espetáculo midiático” na coletiva de imprensa do MPF de quarta-feira (14).

No início de seu discurso, Lula recontou sua história política e afirma sentir orgulho de ter formado o “mais importante país de esquerda da América Latina”. De acordo com o ex-presidente, ele e o PT são atacados pelo sucesso de seu governo. “Nós tiramos da sala o tapete que escondia a corrupção deste país. Isso vale para o PT e para qualquer partido político”, afirmou Lula. “Ontem eu fui vítima de um momento de indignação. Sinceramente, nunca pensei em passar por isso. Convocaram uma coletiva para mostrar o crime que o Lula cometeu. ‘Será que eu tenho uma doença de esquecimento?'” questiona o ex-presidente.

Durante a fala, Lula voltou a se comparar com os ex-presidentes Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas e João Goulart. “Juscelino foi vítima de mais inquéritos que eu. Não tenho a vocação de Getúlio para me dar o tiro, do Jango, para sair do Brasil. Portanto, se eles querem me tirar, vão ter que disputar comigo, na rua. Eles achavam que eu estava vencido. Não sangrei e fui reeleito em 2006 embaixo da maior baixaria eleitoral acontecida até então. Meu adversário com cara de santinho, estava nervoso. Eu me ‘quedei’ tranquilo e ganhei as eleições. Tenho consciência de que meu fracasso teria agradado meus adversários e não teria despertado tanto ódio com o PT. O que despertou a ira foi o sucesso do meu governo, a maior política de inclusão social desse país”, disse.

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O ex-presidente também questionou o uso de dinheiro público para convocar uma coletiva de imprensa em um hotel e não apresentar provas contra ele. “Como você convoca uma coletiva, gastando dinheiro público, montando uma estrutura para apresentar a prova de um crime e dizem: ‘eu não tenho prova, mas tenho convicção'”, parafraseando a fala de um dos promotores do MPF.

Durante a entrevista coletiva, Lula relembrou o caso da apreensão de 400 kg de cocaína no helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella. “Eles tinham prova do helicóptero. Eles tinham prova, mas não tinham convicção”, disse. “Provem uma corrupção minha que irei a pé até a delegacia, como as pessoas vão a pé até Aparecida do Norte para pagar pecados”, afirmou.

Ao final do discurso, Lula orientou que os petistas comecem a andar de camisas vermelhas. “Esse partido tem que ter orgulho porque ninguém nunca fez mais do que nós fizemos por esse país. Nós criamos tudo o que foi possível criar”, e concluiu dizendo que tem “convicção de que quem mentiu está em uma enrascada”, parafraseando os procuradores do MPF, e que se sente “orgulho porque as perseguições são por causa das coisas boas” que fez durante o seu governo.

General da “Propinocracia”

Segundo o MPF, Lula teria recebido R$ 3,7 milhões em propinas e foi denunciado por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.  Cabe agora ao juiz Sérgio Moro acolher ou não as denúncias. O Ministério Público Federal pede ainda o confisco de R$ 87 milhões.

> “Lula é o comandante máximo dos crimes de corrupção na Petrobras”

O Procurador da República e Coordenador da Força Tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato, Deltan Dallagnol, declarou que o ex-presidente Lula “é o comandante máximo dos crimes de corrupção na Petrobras”. “Sem o poder de influência de Lula esse esquema seria impossível”, afirmou.

Segundo Dallagnol, não restam dúvidas de que “Lula era o grande general que comandou a realização e a prática dos crimes, e que coordenava o funcionamento e, se quisesse, a paralisação”.

Os procuradores apresentaram ainda algumas representações gráficas da chamada “proprinocracia” que foi instalada no governo federal, formada por núcleos político, administrativo, empresarial e operacional: “No ápice dessa pirâmide está o núcleo político, e no centro desse núcleo político está Lula”, declarou.

De acordo com o gráfico, Lula tinha poder para distribuir os cargos. Para Dallagnol, Nestor Cerveró foi nomeado na Petrobras para atender aos interesses arrecadatórios do PT. O funcionamento do Mensalão e da Lava Jato dependia não só do poder de Lula como comandante, mas como líder partidário, segundo o procurador.

“Lula estava no topo da pirâmide do poder. No período em que foi estruturado o esquema criminoso do Petrolão, foi Lula quem deu provimento aos altos cargos da administração pública federal”, disse Dallagnol.

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