Política
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Apoio a candidatura de Bolsonaro cria racha em família com história tucana

Em tempos de polarização, a política se tornou tema proibido em muitos almoços de domingo. Em uma família em particular,..

Thais Bilenky - Folhapress - 17 de junho de 2018, 11:23

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Em tempos de polarização, a política se tornou tema proibido em muitos almoços de domingo. Em uma família em particular, as paixões eleitorais puseram irmãos em lados opostos da mesa.

O ruralista Frederico D'Avila, 40, colaborou com o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) por quase 20 anos. Foi seu assessor no governo de São Paulo. Trabalhou em diversas de suas campanhas eleitorais. É padrinho de casamento de sua filha, Sophia. Luiz Felipe D'Avila, 54, meio-irmão de Frederico por parte de pai, foi trazido de volta ao PSDB em 2017. Disputou as prévias para o governo paulista e agora é um dos coordenadores da campanha tucana à Presidência.

No ramo nordestino da família, o primo Guilherme Coelho, 56, é pré-candidato a deputado federal pelo PSDB e trabalha para se viabilizar como candidato a vice-governador de Pernambuco na chapa de Armando Monteiro (PTB). Se diz pronto para fazer o palanque de Alckmin no estado.

Tudo indicava que, nesta família, os almoços de domingo estavam ganhos para o tucano. Mas Frederico rompeu com o padrinho para contribuir com Jair Bolsonaro (PSL), seu principal rival na eleição. "Aquele estilo dele definhou", justifica. "Eu cansei. É muita falta de posição firme sobre determinados temas, especialmente agropecuária e questões de polícia."

Frederico é entusiasta das políticas prometidas por Bolsonaro como armar a população e adotar penas mais severas para criminosos, especialmente no campo, onde exerce sua atividade profissional. Luiz Felipe considera as propostas do capitão da reserva absurdas, feitas por "um cara imprevisível e errático", como definiu à Folha de S.Paulo em maio. Para ele, cientista político de formação, o Brasil precisa da personalidade menos explosiva de Alckmin para sair da crise.

Os irmãos disputarão um com o outro nas urnas em outubro. Mas já competem pelo apoio do pai. Aluizio D'Avila não quer nem saber: "Quando o assunto são os meninos, prefiro não falar. Pode me virar um problema em casa". Ele disse que ainda pondera os argumentos de Luiz Felipe e os de Frederico para tomar sua decisão. "Estou desanimado, não vejo um candidato que possa corresponder ao que o Brasil espera", contou.

"Essa eleição será difícil. Em 1989, quando ", retrucou. "Chance zero", treplicou o primo. Elogiando Alckmin, Coelho afirmou que "pesquisa não diz nada, o que importa é o conteúdo do candidato".

As origens da família Coelho d'Avila estão no PFL, por onde passou inclusive o parente Fernando Bezerra Coelho, senador pelo MDB-PE, mas que começou a carreira no PDS (sucessor da Arena, partido de sustentação da ditadura).

Frederico diz que a família, exceto Bezerra Coelho, à época filiado ao PSB e aliado do então presidente Lula, foi importante para a primeira campanha de Alckmin à Presidência, em 2006. "Se não fosse o PFL , ele não tinha nem sequer ido para o segundo turno. O PSDB só o sacaneou", afirma.

Ele migrou do PFL para o PSDB naquela eleição para acompanhar Alckmin. Em 2014, mudou-se para o PP e neste ano ingressou no PSL de Bolsonaro, "um cara afetuoso, brincalhão, porém muito verdadeiro e autêntico, dono de valores e princípios éticos inabaláveis".