“Arma obsoleta”; tiro em caravana de Lula poderia ter atingido alguém na cabeça

Jordana Martinez

Foto: Joka Madruga/Futura Press/Folhapress

O laudo da perícia feita nos três ônibus atacados durante viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Paraná concluiu dois deles foram atingidos por balas. Já o que levava Lula foi alvo de pedradas, apesar das marcas serem semelhantes às dos tiros.

Segundo o perito da Central da Polícia Científica do Paraná, Inajar Kurowski, o fundo arredondado e a análise química não deixam dúvidas: “Pra confirmar que isso não era um tiro foi levado para análise química. Na pesquisa de chumbo, deu negativo”.

Nos outros dois ônibus a perícia confirmou o atentado a bala. De acordo com a perícia, o ônibus em que estavam os jornalistas, foi atingido por dois tiros; Um deles no vidro, que não perfurou, e pode ter ricocheteado no retrovisor, e outro na lataria. Segundo a perícia, se não fosse uma “arma obsoleta” o primeiro disparo provavelmente teria atingido alguém na região da cabeça e o segundo, na perna.

Os disparos teriam sido feitos a uma distância de 19 metros, de uma altura levemente acima da posição do ônibus: “Essa marca é incomum, mas é um tiro… As duas deram positivo para chumbo na análise química. Vieram de uma posição acima, uns nove graus”, disse.


Segundo o perito Lucas de França Leviski, o parecer foi inconclusivo em relação ao ponto exato do disparo: “o horário e o posicionamento a gente tem a partir das imagens, que elas possuem caracteres da data, de horário, de resolução, então a gente se baseia nessa filmagem… Tem outras filmagens de praças de pedágio, mas esse trecho é que seria servível para o exame”, explicou.

O delegado de Laranjeiras do Sul, Hélder Lauria, afirmou que o local do segundo disparo ainda é mistério: “nós temos os depoimentos de que ouviram apenas um disparo e a perícia acabou de constatar que foram dois. Nós queremos descobrir esse segundo aí, delimitar o espaço. Nós temos aí um espaço de 60 km e oficialmente nós só temos duas imagens do trajeto”, explicou.

“Nós estamos buscando a autoria, o atirador. A partir daí nós vamos saber o motivo do caso. Os trabalhos estão sendo feitos, as pessoas estão sendo ouvidas, vão ser ouvidas mais pessoas ainda. Oficiamos e não foram respondidos alguns ofícios, para nós identificarmos as autorias”, disse.

O caso aconteceu no último dia 27 de março, enquanto os ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faziam o trajeto entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no sudoeste do Paraná.

De acordo com o Partido dos Trabalhadores, dois dos veículos foram atingidos por três tiros. Ninguém ficou ferido. Os veículos também tiveram os pneus furados por objetos pontiagudos que foram espalhados na pista.

No momento dos disparos, Lula estava dentro da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFSS), em Laranjeiras do Sul.

Acompanhea coletiva ao vivo:

Band Curitiba

Publicado por Band Curitiba em Quinta-feira, 5 de abril de 2018

E-mails e WhatsAlpp

Na semana passada, nomes de dez suspeitos de envolvimento em atentados contra a caravana do ex-presidente Lula e 20 números de telefone foram identificados e encaminhados à polícia pelo Partido dos Trabalhadores.

Na semana passada, representantes do Coletivo Advogados pela Democracia apresentaram  ao Ministério Público Estadual uma série de denúncias relacionadas aos ataques à “Caravana Lula pelo Brasil”. E-mails com cópias de trocas de mensagens por WhatsApp revelariam conversas entre pessoas que estariam planejando os atos.

O grupo teria relatado a compra de armamentos e utilizado expressões que indicariam o objetivo de atingir os ônibus da caravana e também o ex-presidente:

“Gente, vamos trocar os ovos por bala de borracha e munição letal, que vai ser bem mais eficaz”, diz um dos integrantes do grupo Caravana Contra Lula 26/03, em uma mensagem enviada às 9h50 da segunda-feira (26). “Gosto da ideia, seria o primeiro a atirar, mas aí nós seríamos os vilões”, responde outro integrante.

Posteriormente, acontece o seguinte diálogo:

— “Vou para o Paraguai comprar um fuzil, é o único jeito kkkkk”.
— “Vai na loja de arma, compra um puma 38 ou 44, é mais fácil do que você imagina”.
— “Aí é só se posicionar do outro lado do rio e mandar uma bala certa”.

 

Segundo a advogada integrante do coletivo, Tânia Mandarino, dez pessoas seriam suspeitas de envolvimento nos ataques. “Nos chegou conversas que podem identificar pessoas que planejaram a compra daquele instrumento chamado ‘miguelito’ para furar pneus, planejaram a compra de armas e atirar nos pneus dos ônibus. Hoje pela manhã chegou novas mensagens desse grupo, dessas mesmas pessoas dizendo ‘vamos dizer que foi o MST e que foram eles que atiraram. É melhor não matar porque morto é pior para nós’”, conta.

O dossiê foi entregue ao procurador de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto, que prometeu agilidade nas apurações sobre o caso. “Estamos diante de uma situação clara que não há apenas ignorância ou falta de civilidade, nós estamos diante da prática de crimes. A incitação da prática de crimes, a apologia e ações concretas que culminam até com uma tentativa de homícidio. O Ministério Público tem o dever legal de atuar, fazer investigação e buscar a punição dos culpados”, disse o procurador que repudiou os atos de violência contra a caravana. Ele classificou os ataques como um atentado contra a democracia.

Post anteriorPróximo post
Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.