Ato contra reforma da Previdência é prévia de greve estadual pelo reajuste do funcionalismo

Fernando Garcel

Centrais sindicais convocam atos contra a reforma da Previdência nesta sexta-feira (14) em todo o país. O movimento segue o calendário de manifestações contra a reforma da Previdência nos mesmos moldes dos protestos do dia 15 e 30 de maio.

Em Curitiba, a concentração terá início às 10h, em frente ao Palácio Iguaçu, sede do Governo do Paraná. Além dos protestos contra mudanças na Previdência, servidores do Estado querem se reunir com o governador Ratinho Júnior para discutir o pagamento da data-base. Sem correção desde 2016, o governo do Paraná ainda não se pronunciou oficialmente se pretende pagar o reajuste do funcionalismo. Caso os servidores não tenham resposta sobre a reposição salarial, a deliberação é por greve estadual a partir do dia 25.

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Além de profissionais da educação e da saúde, a greve deve contar também com a presença de policiais da reserva e reformados. As entidades de peritos criminais, delegados da Polícia Civil, policiais militares e agentes penitenciários já aprovaram em suas bases a participação no ato de sexta-feira.


Na última semana, o presidente da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas (Amai), Coronel Altair Mariot, esteve reunido com outros representantes de associações que representam policiais e bombeiros militares, e declarou que o governo do Estado assumiu promessas com a categoria e não se manifestou após seis meses de governo. A ausência de representatividade da categoria na pasta da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), com a recente nomeação de mais um oficial do Exército para a função, também é um ponto de desconforto dos militares estaduais.

“Estamos passando por uma fase difícil hoje. O governo assumiu várias promessas, já se passaram seis meses e não cumpriu nenhuma, e está nos colocando em posição de desprestigio perante a sociedade. Funções que nós ocupávamos estamos sendo despejados. A data-base é uma reivindicação e um direito nosso e o governo atual nos fez uma promessa de ter um plano de reposição e até agora não se manifestou. Isso causa preocupação na tropa e nós como associações de defesa dos policiais militares temos que nos manifestar, nos unirmos e procurar soluções junto a Governo do Estado e a Sesp para resolver esse problema”, comenta Mariot.

Tramitação da reforma da Previdência

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), informou na última semana que pode pautar a proposta de reforma da Previdência para votação no plenário da Casa no mês de julho. Para garantir quórum alto de presença, Maia está barrando pedidos de viagem de deputados após o feriado de Corpus Christi, no dia 20 deste mês.

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A proposta de reforma da Previdência recebeu 277 sugestões de alteração ao texto. As emendas serão analisadas pelo relator da comissão, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), que pode acatá-las, ou não, no todo ou em parte. Moreira tem afirmado que apresentará o relatório até o dia 15 de junho. O relator, no entanto, declarou que pode antecipar a conclusão do trabalho.

“Nós continuamos com o prazo até o dia 15, mas estamos também no esforço de ajudar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a cumprir o cronograma que ele deseja. Portanto, nós podemos até adiantar um pouco, mas sempre dentro desse prazo de, no máximo, até o dia 15. Mas é possível que até o final da semana que vem, no começo da outra, a gente entregue esse relatório”, disse Moreira.

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