Áudio revela conversa entre delatores da JBS sobre “entregar” o Supremo

Narley Resende


Parte das conversas gravadas entre os delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud entregues à procuradoria-geral da República (PGR) na última quinta-feira à noite, divulgada nesta terça-feira (5) com exclusividade pela Revista Veja, mostra que ambos falavam em como se aproximar do procurador-geral Rodrigo Janot por meio do agora ex-procurador Marcelo Miller, que saiu da PGR para atuar como advogado da JBS. Eles também falam sobre não serem presos após fecharem os acordos de delação premiada.

O áudio original tem duração total de quatro horas e foi entregue espontaneamente pelos colaboradores da JBS. De acordo com o procurador-geral da República Rodrigo Janot, ao que parece os colaboradores não estavam cientes de que estavam gravando a si próprios.

Conforme o trecho do áudio divulgado pela revista, em um dos pontos mais sensíveis da conversa, gravada no dia 17 de março, Joesley e Ricardo Saud afirmam que Fernanda, possivelmente a advogada Fernanda Tórtima, “surtou” porque, a depender dos rumos da delação e de qual autoridade citassem em depoimento, os dois poderiam “entregar” o Supremo, em referência a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os delatores também analisam que, ao decidirem delatar, têm de “ser a tampa do caixão” na política brasileira.

“Por isso que eu quero nós dois 100% alinhado com o Marcelo (Miller)…nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot…eu acho…é o que falei com a Fernanda [possivelmente Fernanda Tórtima, advogada]…nós nunca podemos ser o primeiro, nós temos que ser o último, nós temos que ser a tampa do caixão…Fernanda, nós nunca vamos ser quem vai dar o primeiro tiro, nós vamos o último…vai ser que vai bater o prego da tampa”, diz Joesley Batista em um dos trechos da gravação. “Nós fomos intensos pra fazer, temos que intensos pra terminar”, completa o empresário.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, abriu investigação para avaliar a omissão de informações nas negociações das delações de executivos da JBS. Caso comprovada omissão de provas por eles não terem entregado antecipadamente áudios gravados, os benefícios concedidos aos delatores podem ser anulados, disse o procurador.

 

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="452828" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]