Política
Compartilhar

Áudio mostra tentativa de Trump em fraudar resultado eleitoral na Geórgia; ouça

A menos de 20 dias de ter que deixar a Casa Branca depois de ter sido derrotado nas urnas por Joe Biden, o presidente Do..

Folhapress - 03 de janeiro de 2021, 21:22

Arquivo/White House
Arquivo/White House

A menos de 20 dias de ter que deixar a Casa Branca depois de ter sido derrotado nas urnas por Joe Biden, o presidente Donald Trump fez um novo esforço para tentar reverter a vitória do democrata ao pressionar o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, a "encontrar" votos suficientes a seu favor.

Desta vez, entretanto, os apelos do líder republicano beiram o desespero e, de acordo com analistas jurídicos, a ilegalidade e a imoralidade. O caso veio à tona a partir de uma reportagem publicada pelo Washington Post na tarde deste domingo (3).

O jornal americano teve acesso à gravação de uma ligação telefônica entre Trump e Raffensperger, realizada no sábado (2). De acordo com o material obtido, em cerca de uma hora de conversa, o presidente repreendeu o secretário, depois tentou bajulá-lo, implorou por ajuda e o ameaçou com consequências criminais vagas.

AÚDIO REVELA TENTATIVA DE FRAUDE DE TRUMP: OUÇA

https://www.youtube.com/watch?v=o3hrN0cP58Y

Biden derrotou Trump na Geórgia ao receber 2.473.633 votos, equivalentes a 49,5% do total. O republicano ficou com 2.461.854 (49,3%), marcando uma diferença de exatos 11.779 votos.

"Veja, tudo o que eu quero fazer é isso: só quero encontrar 11.780 votos, um a mais do que nós temos ", disse Trump na ligação, contrariando os números oficiais da eleição.

Uma das funções do secretário de Estado na Geórgia é supervisionar o processo eleitoral e ratificá-lo.

​"O povo da Geórgia está com raiva, as pessoas do país estão com raiva. E não há nada de errado em dizer que você recalculou", pediu o presidente, mantendo a narrativa de que o pleito foi fraudado, embora as cédulas da Geórgia já tenham sido recontadas duas vezes e certificado a vitória de Biden.

"Então me diga, Brad, o que vamos fazer?", perguntou Trump, chamando o secretário de Estado pelo primeiro nome. "Vencemos a eleição e não é justo tirar isso de nós assim. Isso vai sair muito caro de várias maneiras. E eu acho que você tem que dizer que você vai reexaminar, e você pode reexaminar, mas reexaminar com pessoas que querem encontrar respostas."

Em várias ocasiões, Raffensperger defendeu a legitimidade da eleição em seu estado, mas ouviu do presidente que o pleito "nem chegou perto" de ser justo e preciso. Trump repetiu várias vezes que ganhou a votação na Geórgia com vantagem de centenas de milhares de votos, embora seus argumentos tenham se baseado em teorias conspiratórias e desinformação.

"Bem, sr. Presidente, o desafio que o senhor tem é que os dados que o senhor tem estão errados", disse o secretário.

Além de Trump e Raffensperger, havia outras pessoas participando da chamada. Com o secretário, estava seu conselheiro jurídico, Ryan Germany; com o presidente estavam, entre outros, o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, e a proeminente advogada republicana Cleta Mitchell.

Em um comunicado, Mitchell disse ao Washington Post que o gabinete de Raffensperger "fez muitas declarações nos últimos dois meses que simplesmente não são corretas". Desde as primeiras contagens de votos na Geórgia, o secretário, que também é republicano, tem defendido publicamente a legitimidade dos processos de votação e apuração no estado.

Neste domingo (3), horas antes da publicação da reportagem, Trump usou o Twitter para dizer que havia conversado com o secretário de Estado sobre o que ele tem chamado de fraudes.

"Ele já estava acionando o medidor de emergência", disse Foley. "Em uma escala de 1 a 10, estávamos em 12, e agora estamos em 15."