Ex-juiz que mandou prender Pinochet, Baltasar Garzón afirma que Lula é preso político

Angelo Sfair

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O ex-juiz espanhol Baltasar Garzón visitou Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira (26), na Superintendência Regional da Polícia Federal em Curitiba. Ao deixar o prédio, no final da tarde, o jurista afirmou que o ex-presidente é um preso político, e que suas condenações na Lava Jato não encontram fundamentos em provas diretas ou indiretas.

Garzón é conhecido por ter decretado a prisão do ditador chileno Augusto Pinochet, em outubro de 1998, criando um marco para a jurisprudência internacional sobre crimes contra humanidade. Em seus anos de magistratura, o ex-juiz julgou casos de grande repercussão, não só de crimes contra a humanidade, mas também sobre terrorismo, narcotráfico e corrupção política.

“A principal crítica que faço aos processos [contra o ex-presidente Lula] está relacionada à falta de garantias e cumprimento do devido processo legal. É preciso investigar fatos, e não perseguir pessoas”, comentou Garzón, ao deixar a sala de Estado Maior onde o petista encontra-se detido desde 7 de agosto do ano passado.

“Não há prova direta ou indireta que justifique a condenação”, completou o juiz que mandou prender Pinochet.

O espanhol disse esperar que o Poder Judiciário brasileiro analise o caso novamente, considerando as garantias previstas na Constituição Federal. O ex-juiz ainda fez um apelo para que o judiciário aproveite as críticas e a repercussão internacional da prisão de Lula para rever os conceitos.

“O que está em jogo é a credibilidade do Estado Democrático de Direito. Se isso fracassa, é a abertura de um abismo”, comentou Baltasar Garzón, ao deixar a visita ao ex-presidente Lula.

Ex-juiz Baltasar Garzón visitou Lula acompanhado de Tarso Genro

O ex-ministro petista Tarson Genro acompanhou Garzón na visita desta quinta-feira (26). Aliado próximo de Lula, o ex-governador do Rio Grande do Sul afirmou que o político está sereno e confiante.

“Mais preocupado do que com a sua própria situação, Lula está preocupado com a destruição do Brasil. [Destruição] da educação, das políticas públicas e da imagem internacional”, comentou Tarso Genro, que chefiou as pastas de Educação, Relações Internacionais e Justiça.

Também jurista, o gaúcho afirmou que a convicção jurídica internacional já está formada. Para ele, a prisão de Lula, da forma como foi orquestrada, e no momento em que o ex-presidente liderava as pesquisas de intenção de voto para reassumir o Executivo, causa reações negativas e temerárias.

“Não tenho dúvida de que se aproxima o dia em que Lula voltará a sua casa. Disse a ele: ‘vista o seu terno que logo você estará na rua e nós voltaremos para a luta'”, completou.

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