Bendine é condenado novamente na Lava Jato após STF anular sentença de Moro

Angelo Sfair

aldemir bendine, operação lava jato, lava jato, banco do brasil, petrobras, odebrecht, propina

O ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine foi condenado por corrupção a 6 anos e 8 meses de prisão em um processo decorrente das investigações da Operação Lava Jato. O MPF (Ministério Público Federal) o acusava de receber R$ 3 milhões para beneficiar indevidamente a empreiteira Odebrecht.

Bendine já havia sido condenado pelos mesmos crimes pelo ex-juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba Sergio Moro. No entanto, a sentença foi anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) porque os ministros entenderam que os réus delatores deveriam  ser os primeiros a entregar as alegações finais para não prejudicar os demais envolvidos.

A nova condenação do ex-presidente da Petrobras foi assinada pelo atual juiz da Lava Jato, Luiz Antonio Bonat. A pena aplicada pelo magistrado é quase a metade do que foi aplicada por Moro em 2018. O ex-ministro da Justiça havia determinado uma pena de 11 anos de prisão pelos meses crimes.

Em junho passado, a 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) absolveu Aldemir Bendine dos crimes de lavagem de dinheiro. Assim, reformou a condenação para 7 anos de prisão.

No entanto, a sentença foi anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) dois meses depois. Por 3 votos a 1, os ministros da Segunda Turma decidiram que o processo deveria voltar à fase de alegações finais. Dessa vez, os réus delatores entregaram as alegações finais por primeiro. Os réus que não colaboram com a Justiça entregaram logo na sequência.

Na sentença nova, Luiz Antonio Bonat afirmou que Aldemir Bendine adotou uma conduta “de elevadíssimo grau de reprovabilidade”. O juiz destaca que o ex-presidente da Petrobras solicitou R$ 17 milhões em propinas, dos quais R$ 3 milhões fora, de fato, comprovados pelo MPF.

“Os pagamentos foram realizados através do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o qual destinava propinas com dinheiro do caixa dois da empresa no exterior”, apontou o juiz, citando também que os pedidos e repasses de propina aconteceram depois do início da Lava Jato, o que revelaria o arrojo e desrespeito do condenado.

Bendine ainda podem recorrer da setença. Junto a ele foram condenados o operador financeiro André Gustavo Vieira da Silva e o executivo da Odebrecht Fernando Reis.

Previous ArticleNext Article