Bernardi se inspira no Paranismo e faz críticas a Beto Richa e pedágios

Metro Curitiba

Jorge Bernardi, pré-candidato ao governo do Estado pela Rede, concedeu entrevista ao Metro Jornal Curitiba e declarou que está inspirado no Paranismo, movimento da década de 1920, para traçar seu plano de governo para o Paraná.

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Bernardi é formado em Jornalismo e Direito, especialista pela Universite de Techonologie de Compiegne da França. Tem Mestrado e Doutorado na PUCPR, ambos em Gestão Urbana. Cumpriu sete mandatos de vereador pelo MDB e PDT. A primeira vez que foi eleito para o cargo em Curitiba foi em 1982, com 26 anos.

Em que fase está a sua pré-candidatura?
Fui escolhido no Diretório Estadual, que nós chamamos de Elo. Agora estamos articulando com alguns partidos para nós formamos uma coligação e ampliarmos nosso tempo de televisão e também para dar uma robustez maior, porque como a Rede é um partido em formação nós não estamos em todos os municípios do PR. Então estamos buscando mais dois ou três partidos para
que a gente possa ficar mais fortalecido.


Existe chance de união com um partido maior, como o MDB do Requião?
Seria o ideal se a gente conseguisse um partido que tivesse mais tempo no horário eleitoral, mas por enquanto estamos trabalhando na perspectiva de termos ao menos os cinco deputados para participar dos debates. Evidentemente vai depender das negociações federais que vão ter com a Marina.

O que a Rede tem de diferente para mostrar ao eleitor?
A Rede é um partido inovador, disruptivo. Nos Brasil estamos praticando uma politica do final do século XVIII, XIX, em que as correntes se dividiam em esquerda, direita e centro. Nós não somos desse nível, porque o mundo é complexo, não é plano. Nós estamos em três dimensões, então a Rede adota a filosofia partidária teoria da complexidade. Essa teoria tem alguns exponentes, mas o que mais se destaca é o Edgar Morin. Quando a Marina diz que nós somos sustentabilistas, isso não significa dizer que seja só sobre o ponto de vista da sustentabilidade ecológica. Esta é importante, mas é uma das dimensões. No nosso plano de governo eu fui buscar na história do nosso Estado na década de 1920, 30, o movimento paranista. Envolveu empresários, políticos, poetas, escritores, intelectuais, entre os quais o Romário Martins, Cruz Machado Dario Vellozo. Eles queriam dar uma identidade própria para o Paraná. Não só como um Estado que caminhava para o progresso e desenvolvimento, mas que tinha identidade própria – nas artes, ciências, arquitetura. Eu estou fundamentando a linha ideológica da Rede dentro desse novo movimento paranista.

O projeto já está definido? 
Estamos colhendo ideias. No plano adotamos um indicador que é o FIB, tem o IDH (Índice de Desenvolvimento Humana) tem o Gini, que mede desigualdade, e tem um terceiro que foi adotado pela ONU que é a Felicidade Interna Bruta. Ele avalia questões de saúde, gestão, mas também a felicidade, ou seja, aspectos espirituais, a satisfação em morar no Estado. Vamos trabalhar com
esses índices, que são muito mais amplos.

Qual a sua avaliação dos oito anos de governo Richa? 
Eu acredito que o povo paranaense não viu muita coisa nesses oito anos. O que nós percebemos foi a corrupção, também federal, atingindo índices estratosféricos. Você observa que só na questão dos fiscais da Receita Estadual houve um prejuízo de mais de um bilhão para o Estado. Daí nós temos as outras operações como a Quadro-Negro, Voldemort. Me parece que houve uma pilhagem
no Estado do Paraná. O que é muito triste porque eu comecei na política ao lado do pai do ex-governador, que era um homem muito íntegro. Infelizmente a segunda geração não correspondeu.

Qual a sua posição sobre os atuais contratos do pedágio?
O pedágio é o maior estelionato que se praticou contra o povo do Paraná. Os dados que nós temos, que foram fornecidos pelas empresas, é que elas arrecadaram, em 21 anos, R$ 32 bilhoes. Mas
conversando com técnicos do Tribunal de Contas que fizeram auditorias, eles projetam que elas já receberam R$ 100 bilhões. A nossa postura é radicalmente contra a renovação com essas atuais
empresas. Estamos pedindo ao MP (Ministério Público), que disse que pedágio esta 400% superfaturado, para que faça uma intervenção judicial para que elas cumpram o contrato. Porque eu
não estou vendo a duplicação dessas rodovias: se não fizeram em 21 anos, será que farão em menos de 3? E a média de preço no Brasil é de 5 ou 6 reais a cada 100 quilômetros. Nesse trecho do anel de integração é mais de R$ 20, então alguma coisa tem que estar errada.

A desistência do Joaquim Barbosa fortaleceu a Rede a nível nacional?
O Joaquim Barbosa é muito próximo da Marina, houve muitas conversas, entre os dois, inclusive com o Ayres Britto. A desistência causa um prejuízo ao debate eleitoral porque é um homem
honrado, era um candidato para ir para segundo turno, até ser presidente – junto com a Marina. Dizem que nos beneficia, mas eu prefiro acreditar que o povo brasileiro é quem vai dizer.

O que achou do ajuste fiscal feito no Paraná?
Foi muito prejudicial para a economia. Aumentou para 29% de ICMS na energia, aumentou impostos de 95 mil produtos – até feijão, arroz, caneta, borracha. Empresas tradicionais saíram com
seus centros de distribuição. Uma grande de perfumaria foi para o interior de São Paulo, outra que fabricava computadores foi para Minas, outra foi para a Bahia. No Boqueirão pequenas
e médias malharias foram para o Paraguai. Empresas de Palmas, Clevelândia, já estão operando de Santa Catarina. O governo criou uma desoneração para um grupo enorme de empresas, mas não atingiu os pequenos. Foi uma espécie de Robin Hodd às avessas, tirou dos pobres para dar para os ricos.

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