Delator diz que dinheiro desviado de obras de escolas financiou campanha de Beto Richa

Roger Pereira


Em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, o proprietário da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, afirmou que os recursos desviados de obras em escolas estaduais, investigados pela Operação Quadro Negro, foram repassados a lideranças do PSDB para que fossem utilizados na campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB), em 2014. O acordo de Souza ainda aguarda por homologação do Supremo Tribunal Federal, mas detalhes de seus depoimentos foram divulgados nesta sexta-feira pela RPC TV, que teve acesso aos documentos.

A Valor teve contratos que somaram R$ 32 milhões com o governo para a construção de escolas, muitas que sequer foram concluídas. Segundo a RPC, o delator afirmou, em depoimento que participou de reunião na casa do governador para acertar detalhes sobre como faria os repasses. Ele contou que o dinheiro era entregue em uma mochila e em caixas de vinho ao então diretor da Superintendência de Desenvolvimento Educacional (Sude) Maurício Fanini. O empresário também afirmou que fez repasses a Richa depois das eleições de 2014, já visando uma eventual campanha do governador para o Senado.

O governador Beto Richa emitiu uma nota oficial, negando as acusações e desqualificando o delator. Confira a íntegra da nota:

“O governador Beto Richa classifica as declarações do delator como afirmações mentirosas de um criminoso que busca amenizar a sua pena. Tais ilações sequer foram referendadas pela Justiça. E suas colocações são irresponsáveis e sem provas. O governador afirma que nunca teve qualquer contato com o senhor Eduardo Lopes de Souza e sequer fez ou pediu para alguém fazer qualquer solicitação a essa pessoa para a campanha eleitoral de 2014. Todas as doações eleitorais referentes à eleição de 2014 seguiram a legislação vigente e oram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

O governador lembra ainda que foi a própria Secretaria de Estado da Educação que, em abril de 2015, detectou disparidades em medições de algumas obras de escolas e abriu auditoria interna sobre o caso. De imediato, o governador determinou a demissão de todos os envolvidos. As informações levantadas internamente também foram repassadas à Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado para que tomassem as medidas cabíveis. É importante salientar ainda que a Polícia Civil do Paraná investigou e prendeu os suspeitos na denominada Operação Quadro Negro, a qual jamais teve qualquer tipo de informação antecipada.

Cabe lembrar ainda que, conforme despacho do governador Beto Richa, a construtora Valor e seus responsáveis foram punidos administrativamente pelo Governo do Estado. Nesse despacho do governador, a empresa foi declarada inidônea para participar de licitações com a administração púbica e foi aplicada uma multa de R$ 2.108.609,84.

Seguindo determinação do governador, a Procuradoria Geral do Estado também entrou com ações civis públicas na 1.ª, 4.ª e 5.ª Varas da Fazenda Publica por dano ao erário contra a construtora Valor e pessoas ligadas à empresa, incluindo o senhor Eduardo Lopes de Souza. Os pedidos de indenização pelos danos causados ao Estado somam R$ 41.091.132,80. Há ainda ações de improbidade administrativa contra os envolvidos, que também buscam ressarcimento dos cofres públicos. Ou seja, todas as medidas cabíveis foram tomadas para reparação e ressarcimento do erário público e punição dos envolvidos”.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal