Política
Compartilhar

Bolsonaro adota agendas surpresa e diz que não se preocupa com segurança

Em uma postura que tem adotado desde o início do mandato, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) deixou o Palácio do Planalto..

Talita Fernandes - Folhapress - 29 de maio de 2019, 21:24

(Rio de Janeiro - RJ, 08/05/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro, passa em revista à guarda de honra.
Foto: Marcos Corrêa/PR
(Rio de Janeiro - RJ, 08/05/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro, passa em revista à guarda de honra. Foto: Marcos Corrêa/PR

Em uma postura que tem adotado desde o início do mandato, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) deixou o Palácio do Planalto nesta quarta-feira (29) três vezes para compromissos que não constavam em sua agenda pública.

No início da manhã, ele pegou de surpresa a sua equipe de segurança e se deslocou a pé ao Congresso Nacional, onde participou de cerimônia em homenagem ao humorista Carlos Alberto de Nóbrega, apresentador do programa "A Praça é Nossa", do SBT.

No horário do almoço, uma nova agenda surpresa. Ele tentou driblar novamente os veículos de imprensa e se dirigiu à sede da Marinha, onde cumprimentou o comandante Ilques Barbosa Junior por seu aniversário.

O terceiro ocorreu no fim da tarde. Sem maiores explicações, cancelou sua participação em congresso de cirurgia de cataratas e compareceu à posse do presidente da Embratur.

Em nenhum dos três casos, os compromissos constavam na agenda pública. A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto não soube informar com precisão sobre a saída e o destino do presidente.

A imprensa ficou sabendo das agendas furtivas por fontes palacianas ou seguindo o comboio presidencial, formado por cinco veículos e uma ambulância.

No final do dia, o presidente foi questionado sobre o motivo dele adotar uma agenda paralela. Segundo ele, o objetivo é "quebrar a rotina".

"Na folga, estou em prisão domiciliar sem tornozeleira eletrônica dentro do Palácio do Alvorada", afirmou, em referência à residência oficial da Presidência da República.

Questionado, Bolsonaro disse que não está preocupado com a questão de segurança, já que, nas agendas surpresas, a equipe de inteligência não consegue fazer uma avaliação completa de risco.

"Qual o problema? Se tiver alguma coisa, vocês me enterram", disse. "Não estou preocupado com isso, vamos em frente, é um risco que eu tenho de correr sempre", acrescentou.

Ele ressaltou que risco existe sempre, dando como exemplo a presença de um "sniper" ou de um "homem bomba".

"Mas acreditamos que, com um Deus ao lado, venceremos os obstáculos. E esse risco eu sabia que iria correr durante a campanha e depois também", afirmou.

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro sofreu uma facada durante evento de campanha em Minas Gerais. Na época, a Polícia Federal apontou que ele se expôs de maneira desnecessária no meio de uma multidão de apoiadores.

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse que não foi possível atualizar a agenda pública a tempo porque o presidente decidiu em cima da hora participar dos eventos.

"O presidente, não obstante, diante de suas posições pessoais, tem a possibilidade de alterá-la e até mesmo insertar os compromissos. Foi exatamente isso que aconteceu nesses três casos", disse.

Apesar de ter sido eleito com o discurso da mudança, Bolsonaro tem repetido a postura de antecessores, como Michel Temer e Dilma Rousseff, na falta de transparência na divulgação de compromissos oficiais.

Apesar de especialistas em regras de acesso à informação defenderem a transparência na agenda de autoridades públicas, não existe previsão legal que obrigue a publicidade de compromissos e encontros do presidente e do vice-presidente.

O Código de Ética da Presidência da República prevê a divulgação da "agenda de reuniões com pessoas físicas e jurídicas" com as quais o servidor público se relacione funcionalmente, mas a regra não cabe ao presidente. A Constituição Federal prevê o princípio da publicidade, mas não especifica a questão das agendas presidenciais.