Política
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Não dá pra dar um golpe, não?, brinca Bolsonaro na Cúpula do Mercosul

Na abertura do encontro presidencial da Cúpula do Mercosul, em Bento Gonçalves, os presidentes Jair Bolsonaro (Brasil) e..

Sylvia Colombo - Folhapress - 05 de dezembro de 2019, 14:24

(Bento Gonçalves - RS, 05/12/2019) Passagem formal da Presidência Pro Tempore do agrupamento ao Presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, por meio da cerimônia de entrega do martelo que simboliza a Presidência do MERCOSUL.rFoto: Alan Santos/PR
(Bento Gonçalves - RS, 05/12/2019) Passagem formal da Presidência Pro Tempore do agrupamento ao Presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, por meio da cerimônia de entrega do martelo que simboliza a Presidência do MERCOSUL.rFoto: Alan Santos/PR

Na abertura do encontro presidencial da Cúpula do Mercosul, em Bento Gonçalves, os presidentes Jair Bolsonaro (Brasil) e Mauricio Macri (Argentina) mandaram recados ao presidente eleito da Argentina, o centro-esquerdista Alberto Fernández.

Bolsonaro disse que o bloco "não pode perder tempo, nem podemos aceitar retrocessos ideológicos". E enfatizou a necessidade de enxugar ainda mais a estrutura do Mercosul e de reduzir a TEC (tarifa externa comum).

Macri reforçou a mensagem, indicando que os avanços de seu período à frente da Argentina, em que foram assinados o acordo com a União Europeia e com o EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), deveriam continuar. Seu sucessor, Fernández, tem críticas e quer revisar ambos os tratados. "Não se deve abandonar o que avançamos no Mercosul", afirmou Macri.

Já o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, a quem Bolsonaro chamou de "meu irmão paraguaio", agradeceu ao brasileiro por seu "apoio quando houve uma ameaça a nossa democracia", referindo-se ao processo de impeachment contra ele, em agosto, que foi interrompido por pressão do Brasil.

Após os discursos de todos os presidentes e das assinaturas de tratados, Jair Bolsonaro, até aqui presidente pro-tempore do Mercosul, entregou o martelo para o presidente paraguaio, que herdará a presidência no próximo semestre. É comum, no Mercosul, quando a presidência pro-tempore passa de um país para outro, que o entrante dê uma martelada num pedaço de madeira.

Depois que Abdo Benítez fez o gesto, Bolsonaro, sem notar que os microfones de tradução simultânea seguiam ligados, disse: "Quero continuar presidente, não dá pra dar um golpe, não? Tudo quando eles perdem, diz que é golpe (sic). É impressionante, né?".

Presidente da Argentina, Maurício Macri. (Alan Santos/PR)

A Bolívia foi um dos temas tratados na abertura. O Uruguai foi a voz dissonante, definindo o que ocorreu no país andino como "um rompimento institucional", nas palavras da vice-presidente, Lucía Topolansky. E acrescentou: "não podemos atuar como se o Mercosul fosse um paraíso, não é, estamos num contexto regional preocupante, em que vários países estão vivendo conflitos institucionais, com violações dos direitos humanos e perda de vidas".

Topolansky, assim como havia feito o chanceler uruguaio Nin Novoa no dia anterior, chamou a atenção para a maturidade da democracia uruguaia como exemplo para a região. "Ganhou quem nos fazia oposição. Mas, na próxima reunião, quem estará aqui será um uruguaio, porque em meu país, uruguaios somos todos e o Uruguai é um só."

Macri disse que valorizava o papel da senadora Jeanine Áñez que, "como presidente interina, que está buscando a paz democrática em seu país, adotando um caminho constitucional, liderado pelo Congresso".

A chanceler do governo interino de Áñez, Karen Longaric, afirmou que "não houve golpe na Bolívia", pois se tratou de uma decisão do Congresso. "As autoridades que renunciaram tiveram de fazê-lo por conta da pressão que os cidadãos fizeram, pacificamente, saindo às ruas em desaprovação de uma reeleição ilegal".