Política
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Bolsonaro critica decisão do STF que mantém cassação de Francischini

Apoiador de Bolsonaro, Fernando Francischini foi o primeiro político do Brasil a perder o mandato por disseminação de fake news.

Redação - Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil - 08 de junho de 2022, 07:34

Foto: Alan Santos/PR
Foto: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro criticou a decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que manteve a cassação do mandato do deputado estadual Fernando Francischini (União Brasil-PR).

"Aqui, do outro lado da Praça dos Três Poderes, uma turma do tribunal, por três votos a dois, mantém a cassação de um deputado acusado em 2018 de espalhar fake news. Esse deputado não espalhou fake news, porque o que ele falou na live eu também falei pra todo mundo: que estava tendo fraudes na eleição de 2018", afirmou Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (7).

Fernando Francischini foi o primeiro político do Brasil a perder o mandato por disseminação de fake news. A decisão do STF também mantém a inelegibilidade dele por oito anos.

O parlamentar havia tomado posse na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) na segunda-feira (6), mas deverá ser novamente afastado pela Mesa Diretora.

Os votos para revogar a decisão monocrática de Nunes Marques foram dados por Edson Fachin, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, terminando em três votos a dois pela manutenção da condenação, em julgamento ocorrido ontem (7).

A cassação do deputado bolsonarista foi decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por 6 votos a 1 em outubro de 2021. Ele foi considerado culpado de disseminação de notícias falsas (fake news) sobre fraudes nas urnas eletrônicas durante as eleições de 2018. No dia do primeiro turno das eleições daquele ano, Franscischini fez uma live em que afirmou que urnas eletrônicas haviam sido fraudadas para atrapalhar a eleição de Bolsonaro.

BOLSONARO CRITICA DECISÃO DO STF E FALA EM PERSEGUIÇÃO

Jair Bolsonaro argumentou que "não existe tipificação penal para fake news" e que a decisão do TSE que determinou a cassação do mandato teria o objetivo de "criar jurisprudência" como forma de perseguição. Bolsonaro ainda afirmou que confia na máquina, em referência à urna eletrônica, mas que não confia em quem está atrás dela.

Em uma fala com críticas a membros do Poder Judiciário, especialmente o STF, o presidente ainda citou o julgamento do marco temporal sobre demarcação de terras indígenas, que está atualmente paralisado no Supremo após um pedido de vista.

"Uma nova interpretação querem dar a um artigo da Constituição. E quem quer dar essa nova interpretação? O ministro Fachin, marxista leninista. Advogado do MST. O que eu faço se aprovar o marco temporal? Eu tenho duas opções. Entrego a chave para os ministros do Supremo ou digo: 'Não vou cumprir'. Eu fui do tempo em que decisão do Supremo não se discute, se cumpre. Eu fui desse tempo. Não sou mais. Certas medidas saltam aos olhos dos leigos. É inacreditável o que fazem. Querem prejudicar a mim e prejudicam o Brasil", finalizou Bolsonaro.