Política
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Bolsonaro critica Evo Morales e diz que maiores incêndios na Amazônia ocorrem na Bolívia

Interrompendo uma relação até então marcada por elogios, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) criticou nesta sexta-feira (6..

Ricardo Della Coletta - Folhapress - 07 de setembro de 2019, 10:30

Foto: Alan Santos/PR
Foto: Alan Santos/PR

Interrompendo uma relação até então marcada por elogios, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) criticou nesta sexta-feira (6) o presidente da Bolívia, Evo Morales, e disse que é no país vizinho onde estão ocorrendo os maiores incêndios florestais.

"Agora há pouco, na conferência de Leticia que não estava muito a favor das propostas dos demais. Parece que não estava integrado a nós", disse Bolsonaro, referindo-se a Morales, embora sem citá-lo nominalmente.

"Ele disse que o capitalismo está destruindo a Amazônia. Como se no país dele não tivesse ocorrido as maiores queimadas", complementou o presidente.

As declarações foram dadas no Palácio do Planalto, durante um ato de lançamento, pelo Ministério da Educação, de uma carteira de identidade estudantil gratuita.

Minutos antes, Bolsonaro fez um rápido pronunciamento por videoconferência na reunião em Leticia. Bolsonaro não viajou à Colômbia por recomendações médicas, já que deve se submeter a uma nova cirurgia neste fim de semana.

Além de Morales, participaram do encontro os presidentes de Colômbia (Iván Duque), Peru (Martín Vizcarra) e Equador (Lenín Moreno). Também estiveram presentes autoridades da Guiana e do Suriname.

A cúpula foi convocada por Duque e Vizcarra para coordenar uma respostas dos países que têm selva amazônica em seus territórios frente à onda de queimadas florestais na região.

Brasil e Bolívia são os mais afetados pelas chamas.

Foram dois os pontos da intervenção de Morales na cúpula -que antecedeu a do presidente brasileiro- que irritaram Bolsonaro.

O boliviano de fato disse que o capitalismo era responsável pela destruição do meio ambiente, num contexto de crítica ao consumismo.

Em outro momento, Morales se queixou da ausência do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Embora a Venezuela seja membro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, Maduro não foi convidado à cúpula por não ser reconhecido como presidente por quase todos os países presentes, entre eles Brasil, Colômbia e Peru.

Morales disse que questões ideológicas não deveriam interferir num esforço de cooperação para preservação ambiental, o que motivou novos ataques de Bolsonaro na cerimônia de lançamento da carteira de identidade estudantil.

"Esse presidente saudando o socialismo e dizendo que faltava um presidente ali estava em aberta. Entendo que recado semelhante foi dado aos países de vocês", acrescentou o mandatário.