Bolsonaro diz que empresários acreditam no governo após carta cobrando mudanças

Daniel Carvalho - Folhapress


Um dia após mais de 500 economistas, banqueiros e empresários do país assinarem e divulgarem uma carta aberta em que pedem medidas mais eficazes para o combate à pandemia do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que o empresariado acredita em seu governo.

“Eu agradeço a todos vocês por acreditarem no Brasil e acreditarem no nosso governo”, disse Bolsonaro nesta segunda-feira (22) ao dirigir-se a empresários que participavam da cerimônia para marcar parceria com dez empresas que passam a patrocinar ações do Programa Águas Brasileiras, para revitalização de rios.

Apesar de o Brasil viver o pior momento da pandemia, com recordes diários de mortes e escassez de leitos, remédios para intubação e vacinas, Bolsonaro disse que “estamos dando certo apesar de um problema gravíssimo que enfrentamos desde o ano passado” e que “o Brasil vem dando exemplo”.

“Somos um dos poucos países que está na vanguarda na busca de soluções”, afirmou o presidente.

A carta divulgada pelos mais de 500 economistas, banqueiros e empresários chama a atenção para o atual momento crítico da pandemia e de seus riscos para o país, e também detalha medidas que podem contribuir para aliviar o que consideram um grave cenário.

“Estamos no limiar de uma fase explosiva da pandemia e é fundamental que a partir de agora as políticas públicas sejam alicerçadas em dados, informações confiáveis e evidência científica. Não há mais tempo para perder em debates estéreis e notícias falsas. Precisamos nos guiar pelas experiências bem-sucedidas, por ações de baixo custo e alto impacto, por iniciativas que possam reverter de fato a situação sem precedentes que o país vive”, afirma a carta.

O texto não cita o nome de Bolsonaro. O documento afirma que a postura adotada por líderes políticos pode fazer diferença tanto para o bem quanto para o mal e, dependendo, reforçar normas antissociais, dificultar a adesão da população a comportamentos responsáveis, ampliar o número de infectados e de mortes e aumentar os custos que o país incorre.

“O desdenho à ciência, o apelo a tratamentos sem evidência de eficácia, o estímulo à aglomeração e o flerte com o movimento antivacina, caracterizou a liderança política maior no país”, afirmam os signatários da carta.

Como a Folha mostrou em 11 de março, a recente repaginação do discurso de Bolsonaro e a adoção de uma retórica pró-vacina foram motivadas, entre outros pontos, pelo temor de uma perda de apoio empresarial ao governo.

Recentemente, Bolsonaro passou a defender a vacinação e, nos últimos dias, tem aparecido em público usando máscara.

Diferentemente do que era rotina na sede do Executivo, no evento desta segunda-feira, todos usavam máscaras. Dos seis oradores da cerimônia, metade retirou a proteção para falar na tribuna, inclusive Bolsonaro.

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