Família Bolsonaro vê vazamento de dados da Anonymous como forma de intimidação

Vinicius Cordeiro

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e dois de seus três filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), classificaram o vazamento de dados pessoais feito pelo Anonymous na noite desta segunda-feira (1) como formas de intimidação.

Assim como eles, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e sua esposa, Daniela Weintraub, a ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos, e o deputado federal Douglas Garcia (PSC-RJ) também foram alvos da célula do grupo de hackers mais famoso do mundo. O Ministério da Justiça já determinou que seja instaurado um inquérito policial para apurar os vazamentos.

“Em clara medida de intimidação o movimento hacktivista “Anonymous Brasil” divulgou, em conta do Twitter, dados do Presidente da República e familiares. Medidas legais estão em andamento, para que tais crimes, não passem impunes”, declarou o presidente.

– Em clara medida de intimidação o movimento hacktivista "Anonymous Brasil" divulgou, em conta do Twitter, dados do…

Publicado por Jair Messias Bolsonaro em Terça-feira, 2 de junho de 2020

“A turma “pró-democracia” vazou meus dados pessoais e de outros na internet. Após vermos violações do direito à livre expressão, agora ferem a privacidade. Sob a desculpa de “combater o mal”, justificam seus crimes e fazem justamente aquilo que nos acusam, mas nunca provam!”, disse Carlos.

A exemplo do senador  Flávio Bolsonaro e sua esposa, em breve vou à Polícia Federal fazer meu registro e ficar a disposição para colaborar contra mais este ato criminoso contra nossa privacidade afim de nos intimidar”, completou Eduardo.

Entre as informações, estão os números dos celulares, CPFs (Cadastros de Pessoa Física) endereços, bens declarados, participação em empresas e até dívidas. Todos foram compilados em um documento individual do Pastebin.

WEINTRAUB RELATA AMEAÇAS DE MORTE

O ministro Abraham Weintraub também se manifestou sobre o ocorrido e disse ele e sua mulher receberam ofensas e ameaças de morte após o episódio.

“Isso tem se repetindo pelo Brasil. Muitas famílias patriotas estão sendo ameaçadas. Nossos lares não estão mais seguros. Querem nos calar. Não me lamento, escolhi essa trilha. A luta pela LIBERDADE e a defesa da ordem é fundamental para termos um país onde criar nossos filhos”, disse.

Pouco tempo depois do desabafo, Weintraub ainda mudou a foto do perfil com uma imagem que tem a boca amordaçada. Vale lembrar que, na semana passada, o ministro da Educação se envolveu em uma polêmica com cônsul-geral de Israel em São Paulo e entidades israelenses após comparar o cenário atual do Brasil com o Holocausto. Depois disso, ficou em silêncio durante o depoimento à PF no âmbito do inquérito que investiga as Fake News.

ANONYMOUS VAZA DADOS DE BOLSONARO E SEUS ALIADOS

O grupo Anonymous voltou a ativa durante os protestos espalhados pelos Estados Unidos. No sábado (31), um vídeo publicado promete a exposição de crimes cometidos por policiais durante todo o mundo.

Vale ressaltar que manifestações de norte-americanos completaram seu sétimo dia ontem (1) após a morte do negro George Floyd. Ele foi brutalmente assassinado por um policial branco, que o impediu de respirar com o joelho no pescoço de Floyd por mais de oito minutos.

Tim Watz, governador de Minnesota, já confirmou que os computadores do Estado sofreram ataques cibernéticos.

Diversas celebridades e esportistas têm se pronunciado contra o racismo. Maior jogador de basquete da história, Michael Jordan reagiu com um “basta” enquanto diversos jogadores da modalidade estão indo aos protestos. Já o piloto Lewis Hamilton criticou a Fórmula 1 pelo silêncio após a morte de Floyd: “alguns de vocês são grandes estrelas, mas ficam calados no meio da injustiça”, disparou.

Desde a morte de Floyd, dezenas de cidades têm viaturas da polícia queimadas, lojas saqueadas e caos por causa dos manifestantes. Em reação, as autoridades estipularam toques de recolher enquanto o presidente Donald Trump cobrou os governadores para “dominem” os ativistas.

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