Bolsonaro contraria Mandetta e defende uso irrestrito de hidroxicloroquina contra coronavírus

Jorge de Sousa

Bolsonaro vai entregar resultados de exames de coronavírus ao STF

Em pronunciamento feito em rede pública de rádio e televisão nesta quarta-feira (8), o presidente da República, Jair Bolsonaro, defendeu o uso irrestrito da hidroxicloroquina como forma de combater o coronavírus, contrariando posicionamento defendido pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Bolsonaro citou recomendação do cardiologista e diretor clínico do Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Roberto Kalil Filho, para referendar sua posição.

“Passei a divulgar nos últimos 40 dias sobre o uso da cloroquina com o Dr. Roberto Kalil. Todos (pacientes de Kalil) estão salvos, mesmo não finalizando o protocolo de testes, ele ministrou o medicamento agora para não se arrepender no futuro”, explicou o presidente.

Esse posicionamento vai contra o de Mandetta, que defende o aguardo de estudos definitivos sobre a eficiência da hidroxicloroquina para evitar efeitos colaterais que a medicação possa causar.

“Temos cerca de 85% de pessoas fora do grupo de risco. Esse medicamento tem efeitos colaterais graves. Vale a pena arriscar gerar nessas pessoas problemas como arritmia cardíaca, sendo que eles podem não apresentar sintomas do coronavírus?”, questionou Mandetta em pronunciamento realizado anteriormente nesta quarta-feira.

Mas Bolsonaro chegou a confirmar que negociou com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, a compra de insumos para a fabricação da hidroxicloroquina no Brasil. A medicação também é utilizada para tratar casos de malária e lúpus.

Dessa forma, a expectativa do presidente é conseguir imunizar a população e reabrir os comércios e indústrias fechados em todo Brasil.

“Os mais humildes não podem deixar de se locomover para conseguir o pão de cada dia e o desemprego não pode continuar a causar a fome e a miséria. Sempre afirmei que tínhamos dois problema a resolver. O vírus e o desemprego, que devem ser combatidos de forma conjunta. Reforço que o Governo Federal não foi consultado nos isolamentos pelos Governos e Prefeituras”, finalizou o presidente.

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