Bolsonaro reconhece ‘momento difícil’, em dia de saída de Weintraub e prisão de Queiroz

Redação

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu que passa por um momento “difícil” ao anunciar a demissão do ministro da Educação Abraham Weintraub. A saída foi confirmada nesta quinta-feira (18), por meio de um vídeo gravado pelo então chefe da pasta.

Também hoje (18), nas primeiras horas do dia, Fabrício Queiroz foi preso pela polícia. Ela é peça-chave na investigação sobre um suposto esquema de corrupção no gabinete do ex-deputado e agora senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

Conforme as investigações, Queiroz estava escondido há mais de um ano na casa de Frederick Wassef, advogado e aliado do clã Bolsonaro.

Ao lado de Weintraub, o presidente ouviu as palavras de despedida do aliado imóvel, olhando para o horizonte. Bolsonaro pediu a palavra após o breve discurso de dois minutos e 15 segundos.

“É um momento difícil”, iniciou. E prosseguiu, de forma desconexa: “Todos meus compromissos de campanha continuam de pé, e busco implementá-los da melhor maneira possível”.

Sem explicações, Bolsonaro falou sobre confiança. “A confiança você não compra, você adquire. Todos que estão nos ouvindo agora são maiores de idade e sabem o que o Brasil está passando. E o momento é de confiança”.

Posteriormente, concluiu: “Jamais deixaremos de lutar pela liberdade. Eu faço o que o povo quiser”.

Abraham Weintraub chegou ao governo após militar em favor de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. De agitador a ministro, ele assumiu o MEC sob olhares críticas por não formação ideal para assumir uma pasta de tamanha importância.

AS DERROTAS DE WEINTRAUB

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Vídeo com guarda-chuva foi uma das excentricidades marcantes da passagem de Weintraub pelo MEC (Reprodução/YouTube)

Responsável por liderar as políticas públicas para a Educação no governo de Jair Bolsonaro, Weintraub chamou mais a atenção pelas galhofas. As atitudes minaram o apoio junto ao STF (Supremo Tribunal Federal), ao Congresso, e à ala militar.

No decorrer dos meses, Abraham Weintraub colecionou derrotas: a MP da ID Estudantil caducou sem ter sido sequer discutida; o ENEM foi adiado devido à pandemia do coronavírus, ao contrário do que o ministro defendia; a MP que dava ao ministro o poder de escolher reitores “biônicos” foi devolvida ao governo.

Na fatídica reunião ministerial do dia 22 de abril, Weintraub defendeu a prisão de ministros do STF, aos quais se referiu como “vagabundos”. Posteriormente, em julgamento concluído nesta quarta-feira (17), viu o plenário da Suprema Corte mantê-lo no inquérito que investiga o esquema das fake news por 9 votos a 1.

Ao anunciar a demissão do MEC, Abraham Weintraub disse que assumirá um cargo de direção no Banco Mundial, em Washington, com aval do governo. A mudança seria pela sua segurança pessoal.

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