Bolsonaro, porteiro, Globo, Frota e Marielle: um resumo das últimas 24 horas

Jorge de Sousa e Vinicius Cordeiro

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A reportagem da Rede Globo, baseada em um depoimento do porteiro do condomínio de Jair Bolsonaro, movimentou a quarta-feira (30) no Brasil. Em menos de 24 horas, foram diversas notícias e muita repercussão sobre a história que aproxima o presidente da morte da ex-vereadora Marielle Franco, do Rio de Janeiro, e seu motorista, Anderson Gomes.

Confira o resumo de toda a história:

1 – A REPORTAGEM DA GLOBO

A matéria, exibida no Jornal Nacional, teve acesso exclusivo ao depoimento do porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O presidente Jair Bolsonaro e seu filho Carlos, vereador no Rio de Janeiro, são proprietários de casas lá.

De acordo com o depoimento do porteiro, Élcio Queiroz, apontado como o suspeito de dirigir o carro de onde saíram os disparos que mataram Marielle e Anderson, solicitou entrada no condomínio por volta das 17h e comunicou que iria para o apartamento do presidente.

Contudo, a reportagem também mostra os registros de presença da Câmara dos Deputados daquele dia. Com isso, fica comprovado que Bolsonaro estava em Brasília no dia do assassinato da ex-vereadora. No fim, a matéria também conta com o posicionamento do advogado de Jair Bolsonaro.

2 – A FÚRIA DE BOLSONARO

Em uma viagem pela Ásia e Oriente Médio para atrair investimentos ao Brasil, Bolsonaro elevou o tom. Gravou um vídeo, publicado em suas redes sociais, atacando a Rede Globo pela reportagem.

“Por que essa patifaria da parte de vocês? Deixem eu governar o Brasil, vocês perderam. Vocês, o tempo todo infernizam a minha vida, p***. Agora querem empurrar a Marielle para cima de mim”, disse bastante irritado.

“Seus patifes da Rede Globo. Patifes! Canalhas! Não vai colar. Não é que vocês não vão me pegar. Vocês não tem o que me pegar”, completou.

Além disso, acusou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, por ter disponibilizado o depoimento do porteiro à emissora.

“O governador Witzel que se explique agora como vazou esse processo. O senhor quer disputar a presidência em 2022. Legítimo, nada contra. Mas, para chegar lá, ao que tudo indica, você terá que destruir a família Bolsonaro”.

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Reprodução do vídeo gravado por Bolsonaro na madrugada desta quarta-feira (30). (Reprodução/Youtube)

3 – A ENTRADA DE MORO

Sergio Moro foi o primeiro a entrar na história. A pedido de Bolsonaro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, solicitou à PGR (Procuradoria-Geral da República) para investigar a denúncia feita pela reportagem da Globo.

No documento enviado por Moro, pedindo a a instauração de um inquérito para apurar o depoimento, o ministro abre a possibilidade de Bolsonaro ser alvo de “falso testemunho ou denunciação caluniosa”. Além disso, ele solicitou uma ação conjunta entre PGR, PF (Polícia Federal) e MPF (Ministério Público Federal) para investigar o caso.

Moro ainda destacou o trabalho da PF, que segundo o ministro, impediu a obstrução da Justiça e apontou os verdadeiros suspeitos pelo assassinato de Marielle e Anderson.

4 – CARLOS BOLSONARO MOSTRA SUPOSTAS GRAVAÇÕES

Com o objetivo de defender seu pai das acusações, Carlos Bolsonaro, divulgou diversas gravações que supostamente teriam sido gravadas no dia do assassinato de Marielle e Anderson.

No primeiro vídeo, Carlos Bolsonaro apresenta um áudio gravado em um computador, no qual às 17h13, um homem chamo Élcio solicitava entrar no apartamento 65, que é propriedade de Ronnie Lessa, acusado de ser o assassino de Marielle.

O áudio reproduz o diálogo entre o porteiro e uma voz masculina diferente de Jair Bolsonaro, que autoriza a entrada de Élcio. Esse arquivo com nome “65” tem como data de modificação o dia 14 de março de 2018, às 17h13.  Não é possível garantir que o vereador gravou o vídeo na administração e também que as outras ligações desse dia foram apresentadas.

Só que no vídeo apresentado é possível identificar duas outras ligações. Uma para a casa 58, de propriedade do presidente, e a outra para a casa 36, que pertence a Carlos. Após diversos comentários em sua postagem, o vereador publicou novo vídeo com a reprodução dessas conversas.

No primeiro áudio, uma voz feminina atende o interfone e o porteiro avisa da chegada de compras do mercado. Já a segunda gravação comunica Carlos da chegada de um motorista de aplicativo na entrada do condomínio para conduzi-lo.

5 – ARAS

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o procurador-geral da República, Augusto Aras, chamou de factoide a divulgação do depoimento do porteiro e disse que a PGR e o STF (Supremo Tribunal Federal) já haviam arquivado uma notícia de fato feita pelo MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) sobre esse tema.

Aras ainda mencionou que irá solicitar ao MPRJ que se investigue o caso, principalmente se houve intenção do porteiro em prejudicar Jair Bolsonaro e sob quais circunstâncias ele mencionou o envolvimento do presidente.

Ainda de acordo com Aras, a PGR teve acesso aos outros áudios da portaria do condomínio Vivendas da Barra, mas que por enquanto, não há qualquer indício de envolvimento do presidente no assassinato de Marielle e Anderson.

6 – EDUARDO BOLSONARO x FROTA

Nesta quarta-feira, os deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) protagonizaram uma discussão durante sessão da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News.

Primeiro Frota mencionou que o presidente havia reclamado em duas oportunidades pelo fato do deputado ter pedido a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro.

“Subi e pedi a prisão do Queiroz. Meu telefone tocou, era Jair Bolsonaro reclamando que eu teria no plenário pedido a prisão do Queiroz”, prosseguiu Frota, que autorizou a quebra de seu sigilo telefônico para comprovar a existência do diálogo.

Frota ainda contou que ao encontrar o presidente em um evento, Jair Bolsonaro o teria pedido para “calar essa matraca”. O deputado disse que essa cena foi gravada em vídeo.

Mais tarde na sessão, o líder do PSL na Câmara ofendeu o colega de plenário ao dizer que ele representava um “escárnio com a sociedade brasileira” e perguntou ao deputado do PSDB o que passava por sua cabeça.

“O que passa pela minha cabeça só interessa a mim, não a você”, respondeu Frota, que prontamente foi respondido por Eduardo, que afirmou que o parlamentar era “menos promíscuo quando fazia filme pornô”.

“E o senhor assistia muito, né?”, replicou Frota. Eduardo então deixou a sessão e foi chamado de “neném” e “mimado” pelo ex-colega de PSL.

7 – MP DIZ QUE DEPOIMENTO DO PORTEIRO É FALSO

Também na tarde desta quarta, a promotora Simone Sibilio, do MPRJ, afirmou que o porteiro mentiu em seu depoimento sobre o presidente Bolsonaro.

A promotora afirmou que a investigação teve acesso à planilha da portaria do condomínio e às gravações do interfone, tendo ficado comprovado que o porteiro interfonou para a casa 65 e que a entrada de Élcio Queiroz foi autorizada por Ronnie Lessa, com quem se encontrou.

O MPRJ ainda disse que o porteiro pode ter anotado que Élcio foi para a casa de Bolsonaro por vários motivos e que eles serão apurados. “Todas as pessoas que prestam falso testemunho podem ser processadas”, finalizou Sibilio.

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