Bolsonaro diz que Queiroga vai desobrigar vacinado e quem já se infectou de usar máscara

Daniel Carvalho - Folhapress e Natália Cancian - Folhapress

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (10) que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, prepara um parecer para desobrigar o uso de máscara por quem já foi vacinado contra a Covid ou quem já se infectou com o coronavírus.

“Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados para tirar este símbolo que, obviamente, tem a sua utilidade para quem está infectado”, afirmou Bolsonaro em uma solenidade no Palácio do Planalto.

O presidente seguiu dizendo que, pelo protocolo adotado no Brasil, quem está infectado deve ficar em casa. “Se bem que para nós, o nosso protocolo para quem está infectado, este sim fica em casa. Não aquele fica em casa todo mundo. A quarentena é para quem está infectado, não é para todo mundo, porque isso destrói empregos, mata de outra forma o cidadão”, afirmou.

Na verdade, uma pessoa pode transmitir o vírus mesmo que esteja vacinada e sem apresentar sintomas. Como ainda há pouquíssimos vacinados no Brasil e alta circulação do vírus, o risco de alguém que tomou a vacina contrair o coronavírus e transmiti-lo (mesmo sem ficar doente) para quem ainda não esteja protegido é bem grande.

Ao chegar à cerimônia, Bolsonaro estava de máscara. Um segurança que, antes da chegada do mandatário estava sem o equipamento de proteção, foi orientado a cobrir o rosto e retirou uma máscara cirúrgica do bolso do paletó.

Procurado, o Ministério da Saúde ainda não se manifestou.

Desde que assumiu o cargo, Queiroga tem se posicionado a favor do uso de máscaras. “A pátria de chuteiras agora é a pátria de máscaras”, disse no fim de março.

Ao longo dos últimos meses, o ministro também tem dito que o uso de máscaras e distanciamento são importantes como medidas de prevenção e para a “retomada da economia”.

Questionado em depoimento à CPI da Covid nesta semana se orientava o presidente a usar a proteção, o ministro respondeu: “evidente que sim”. Mas evitou comentar sobre a postura de Bolsonaro, afirmando que se trata de “ato individual”. “Não vou fazer juízo de valor a respeito da conduta do presidente da República”, disse.

Em maio, o Ministério da Saúde lançou uma campanha sobre medidas de prevenção contra a Covid, com o mote “O cuidado é de cada um, o benefício é de todos”. Um dos vídeos da iniciativa traz a família do personagem Zé Gotinha de máscaras e cita outras ações, como lavar as mãos e distanciamento.

“Zé Gotinha sempre foi o símbolo da campanha de vacinação no Brasil. Vamos vacinar a população brasileira e aderir às medidas não farmacológicas, como o uso de máscara”, disse o ministro na ocasião.

Desde o início da pandemia, o governo vem sendo questionado pela falta de investimento em medidas de comunicação mais assertivas para estímulo a ações de prevenção contra o coronavírus.

Em seu discurso nesta quinta, o presidente também insistiu no tratamento com hidroxicloroquina e ivermectina, que não têm eficácia contra a Covid-19.

Bolsonaro voltou aonda a defender a tese de supernotificação de casos de Covid pelos estados em busca de mais recursos federais. No início da semana, o presidente citou um documento de servidor do Tribunal de Contas da União e foi desmentido pelo próprio TCU.

Mas, ao contrário do que diz Bolsonaro, as mortes por Covid devem ser ainda maiores do que apontam registros oficiais.

A declaração de Bolsonaro acontece horas depois de a CPI da Covid no Senado aprovar a quebra de sigilo telefônico e telemático dos ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e de integrantes do chamado ‘gabinete paralelo’, estrutura de aconselhamento do presidente para temas ligados à pandemia e com defesa de teses negacionistas.

A fala de Bolsonaro em evento do Ministério do Turismo não estava prevista. A cerimônia já havia sido encerrada pelo cerimonial, quando o presidente dirigiu-se ao púlpito para falar.

Em seu discurso, Bolsonaro elogiou ex-assessor presidencial Arthur Weintraub, alvo da CPI por causa do gabinete paralelo. “Com todos esses problemas do ‘fique em casa, a economia a gente vê depois’, não errei uma sequer. E não foi da minha cabeça, foi conversando com pessoas como um anônimo entre nós por muito tempo, o Arthur Weintraub”, disse Bolsonaro.

O presidente afirmou que seu ex-assessor aprendeu “o básico de japonês em 48 horas”. “Trazia documentos para mim, pesquisas, fazia contatos e a gente foi aprendendo o que era aquilo”, afirmou Bolsonaro.

Bolsonaro também citou reunião realizada no ano passado com médicos defensores do tratamento precoce e defendeu os participantes do encontro transmitido ao vivo pelas redes sociais do presidente.

“São heróis, pessoas que estavam tentando salvar vidas, e não se acomodando embaixo da cama, como muitas autoridades fizeram pelo Brasil. Isso para a CPI agora é gabinete paralelo”, afirmou Bolsonaro.

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