Política
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Permanência de Alvim foi insustentável após discurso infeliz, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro lamentou a demissão de Roberto Alvim, da Secretaria Especial da Cultura, mas disse que o pro..

Vinicius Cordeiro - 17 de janeiro de 2020, 14:29

Reprodução / Youtube
Reprodução / Youtube

O presidente Jair Bolsonaro lamentou a demissão de Roberto Alvim, da Secretaria Especial da Cultura, mas disse que o pronunciamento do secretário impossibilitou sua permanência no governo. O secretário foi exonerado hoje (17), após parafrasear um discurso de Joseph Goebbels, ministro de Adolf Hitler durante a Alemanha nazista.

"Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência", postou Bolsonaro em seu Twitter.

"Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, como o nazismo e o comunismo, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas. Manifestamos também nosso total e irrestrito apoio à comunidade judaica, da qual somos amigos e compartilhamos muitos valores em comum", completou.

Contudo, horas antes de demissão, Bolsonaro fez uma live em suas redes sociais onde elogia Alvim - clique aqui e assista.

https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1218204528153153539

OS DISCURSOS DE ALVIM E GOEBBELS

O vídeo que causou a demissão de Roberto Alvim foi a divulgação do Prêmio Nacional das Artes. A aparência do secretário, bem como o tom da voz, o vocabulário e a trilha sonora fazem uma apologia ao discurso de Joseph Goebbels feito no dia 8 de maio de 1933.

"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada", disse o então ministro de Hitler.

Agora, Alvim declarou: ""A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada".

Confira o vídeo, que foi retirado do ar pela Secretaria Especial de Cultura de suas redes sociais:

https://youtu.be/iNaSQgQScls

ALVIM DIZ QUE FOI COINCIDÊNCIA RETÓRICA

Em seu Facebook, o ex-secretário Roberto Alvim manifestou que a semelhança do seu discurso com o de Goebbels foi uma 'coincidência retórica'.

"O que a esquerda está fazendo é uma falácia de associação remota: com uma coincidência retórica em UMA frase sobre nacionalismo em arte, estão tentando desacreditar todo o Prêmio Nacional das Artes (...) típico dessa corja", alegou.

Além disso, declarou que nunca citou o ex-ministro alemão e 'nunca o faria'.

https://www.facebook.com/roberto.alvim.9/posts/3985335308159399

CRÍTICAS AO VÍDEO

Três das principais figuras políticas do país hoje criticaram o vídeo de Roberto Alvim.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, classificou o episódio como "inaceitável", enquanto Luciano Huck, possível candidato à presidência em 2022, disse que o vídeo é criminoso.

Por fim, Olavo de Carvalho disse que o ex-secretário não estava bem da cabeça.

https://twitter.com/RodrigoMaia/status/1218145156219707393

https://twitter.com/LucianoHuck/status/1218182346718887938