Cada voto em Cida Borghetti custou R$ 9,00. Em Arns, R$ 0,12

Roger Pereira


Análise da prestação parcial das contas dos candidatos ao governo do Estado e ao Senado pelo Paraná nas eleições de domingo mostra que, nem sempre, uma campanha rica gera bom resultado. A maior prova está no desempenho eleitoral da governadora Cida Borghetti (PP). Com R$ 7,5 milhões investidos na campanha (até a última sexta-feira), a candidata à reeleição não conseguiu levar a eleição para o segundo turno. Obteve 831 mil votos, o que gerou um custo de R$ 9,00 por voto.

A campanha vencedora de Ratinho Junior (PSD) foi ainda mais cara, custou R$ 8,4 milhões (também até sexta-feira). Na relação custo por voto, no entanto, cada um dos 3,2 milhões de votos que o governador eleito recebeu saiu por R$ 2,65, uma conta bem mais positiva que o custo do voto do terceiro colocado, João Arruda (MDB), que, com os R$ 5 milhões arrecadados, gastou R$ 7,08 por voto. Todos os candidatos tiveram o partido como principal financiador. Ratinho Junior foi o único que registrou, também, contribuições significativas de pessoas físicas, principalmente dele mesmo e de seu pai, o apresentador de TV Carlos Massa, o Ratinho, que lhe doou R$ 1,5 milhão

Os números ainda podem ser atualizados. As prestações de contas finais devem ser apresentadas até 6 de novembro, mas os dados parciais são atualizados em tempo real no sistema do Tribunal Superior Eleitoral.

Na eleição para o Senado, o maior contraste: o Paraná elegeu o senador que fez a campanha mais cara e o que fez a mais barata entre os seis principais concorrentes. A campanha do senador eleito com maior número de votos, Professor Oriovisto, foi, também a mais cara. Ele utilizou R$ 3,3 milhões, quase que totalmente (98%) de recursos próprios. Seu custo por voto, no entanto, foi relativamente baixo – R$ 1,11 para cada um dos 2,96 milhões de votos que recebeu.

Já o eleito na segunda vaga para o Senado, Flávio Arns (Rede) foi, disparado, o que menos gastou. Enquanto os candidatos derrotados Roberto Requião (MDB), Alex Canziani (PTB), Mirian Gonçalves (PT) e Beto Richa (PSDB) gastaram entre R$ 1,4 milhão e R$ 2 milhões na campanha, Arns elegeu-se com uma campanha que custou “apenas” R$ 294 mil. Se divididos pelos R$ 2,3 milhões de votos que recebeu, o custo por voto para eleger o senador da Rede foi de incríveis 12 centavos. “Foi uma campanha franciscana, limitada à distribuição da colinha com nosso número e de adesivos. Mas mostramos que, quando a candidatura emerge da sociedade, é possível fazer política de forma diferente”, declarou o senador eleito ao Paraná Portal.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal