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Filha de Bendine é alvo de tentativa de extorsão para habeas corpus do pai

A defesa do ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, anexou ao processo que tramita na 13ª Vara..

Andreza Rossini - 07 de agosto de 2017, 11:08

A defesa do ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, anexou ao processo que tramita na 13ª Vara Federal em Curitiba, um e-mail falso recebido pela filha do acusado.

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Endereçado à Amanda Bendine, o e-mail é assinado por uma pessoa que tenta se passar pelo ex-executivo da estatal. No texto, o criminoso pede que Amanda deposite R$ 700 mil em uma conta bancária de um terceiro para suposto pagamento de decisão favorável de habeas corpus, que seria impetrado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em petição ao juiz Sérgio Moro, a defesa pede que as investigações sejam realizadas com urgência. "Tal situação, em razão de sua absoluta gravidade – chega a beirar o absurdo – demanda a adoção de providências imediatas por parte deste d. Juízo para apuração das devidas responsabilidades", afirmam. "Nesse contexto, sugere-se, desde já, a quebra do sigilo do endereço eletrônico utilizado pelos criminosos e, ainda, a quebra de sigilo bancário da conta corrente indicada para depósito, a fim de que possa ser identificada a sua titularidade", peticionam os advogados.

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No e-mail, o criminoso pede o depósito e cita nomes de familiares de Bendine. "Filha é o pai. um agente está me ajudando neste e-mail . estou bem avisa a sua mãe e a Andressa .Tenho um contato no RJ que tem uma conexão com o STF.. para garantir o habeas corpus domiciliar. eu já tinha combinado o valor com eles.fale com a Silvana fazer um Ted para o banco (xx) 0 nome Alexandre Inácio , valor 700 mil reais quando for a hora falo com o bottini... para pedir o habeas....amo vocês..", diz o e-mail encaminhado para Amanda.

Prisão

Bendine foi preso no último dia 27, na 42ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Cobra. Ele é suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht. De acordo com a Polícia Federal, ele realizou pagamento de impostos sobre o valor da propina para dificultar as investigações.

Ele está detido na Superintendência da Polícia Federal (PF), no bairro Santa Cândida. A pedido da PF, Moro autorizou a transferência de Bendine para o Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A defesa recorreu alegando que no presídio ficaria inviável a visita de uma das filhas de Bendine, que tem problemas psiquiátricos e o juiz ainda não tomou a decisão final.

Investigações

O juiz federal Sérgio Moro determinou o bloqueio de R$ 3 milhões nas contas de Bendine. O valor bloqueado equivale à propina que Bendine teria recebido da Odebrecht. As investigações apontam o valor em espécie em três parcelas, cada uma de R$ 1 milhão. O repasse teria acontecido em um apartamento em São Paulo, alugado por Antônio Carlos.

Um dos argumentos que levaram o Ministério Público Federal a pedir a prisão preventiva de Bendine foi a compra de uma passagem só de ida para Portugal por parte do investigado. À petição, os advogados do ex-presidente da Petrobras anexaram o bilhete de volta adquirido por Bendine, com data marcada para 19 de agosto pedindo a revogação da prisão.

Em fevereiro de 2015, na véspera de assumir a Petrobras, Bendine teria pedido os R$ 3 milhões para não prejudicar a Odebrecht em contratos com a estatal e também para “amenizar” os efeitos da Lava Jato. Naquele momento, a operação estava prestes a completar um ano.