Política
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Câmara de Curitiba confirma cassação do mandato de Renato Freitas

Petista era acusado por quebra de decoro ao ocupar um templo religioso durante uma manifestação. Foram 23 votos favoráveis e sete contrários à perda do cargo.

Johan Gaissler - 05 de agosto de 2022, 13:12

(Foto: CMC)
(Foto: CMC)

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) confirmou em segundo turno a cassação do mandato do vereador Renato Freitas (PT). A votação desta sexta-feira (5) teve 23 votos favoráveis e sete contrários à perda do cargo.

Eram necessários pelo menos 20 votos entre os 38 parlamentares para a finalização do processo, o que corresponde à maioria absoluta. O petista era acusado por quebra de decoro parlamentar ao ocupar um templo religioso durante uma manifestação.

Em junho, Freitas já havia perdido o mandato por um placar semelhante: 25 vereadores favoráveis e sete contrários. No entanto, a votação foi suspensa após decisão da desembargadora Maria Aparecida Blanco de Lima, da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

Durante a sessão plenária na Câmara de Curitiba, Renato Freitas se justificou sobre a entrada em uma igreja durante um protesto: “Foi justamente por ser cristão que eu entrei naquela igreja. Do contrário, não entraria. Porque não encontraria ali um lugar apropriado para clamar pelas vidas negras desperdiçadas no nosso país. Ali também é minha casa e me senti acolhido”.

Ele também atacou o vereador Eder Borges (PP), que teve o mandato cassado e depois retomado. “O vereador foi condenado pela Justiça por fake news. Foi ele quem editou os vídeos da nossa manifestação e, no dia seguinte, deu a entender que eu teria cometido crimes”, disparou em discurso.

Eder Borges estava ausente durante a votação e não se manifestou sobre a declaração. O vereador também estava impedido de votar porque é um dos autores de representações durante o processo.

RENATO FREITAS É JULGADO POR MANIFESTAÇÃO APÓS MORTE DE IMIGRANTE

O vereador Renato Freitas (PT) é alvo de um Processo Ético Disciplinar (PED) por ocupar um templo religioso em Curitiba, em fevereiro deste ano, numa manifestação após a morte do imigrante congolês Moïse Mugenyi Kabagambe.

O petista foi uma das pessoas que entrou na Igreja do Rosário, no Largo da Ordem, no final do protesto. À época, ele afirmou que a mobilização seria encerrada em uma "igreja feita por pretos e para os pretos".

Segundo o padre Luiz Haas, uma missa estava sendo celebrada no momento da ação, que foi classificada pelos religiosos como invasão.

Renato Freitas negou que estava à frente da manifestação e que a ação foi uma invasão. Segundo ele, a missa já estava encerrada e a Igreja estava aberta.

Em março, a Arquidiocese de Curitiba se posicionou contrária à cassação do mandato do petista.