Política
Compartilhar

“Canalha! Canalha! Canalha!” Requião parafraseia Tancredo para defender mandato de Dilma

O senador Roberto Requião (PMDB) iniciou seu discurso na sessão de julgamento da presidente Dlma Rousseff (PT) lembrando..

Roger Pereira - 30 de agosto de 2016, 19:52

O senador Roberto Requião (PMDB) iniciou seu discurso na sessão de julgamento da presidente Dlma Rousseff (PT) lembrando a declaração de Tancredo Neves a Mouro Andrade, em 1964, quando este declarou vaga a presidência, consumando o golpe daquele ano. “Canalha! Canalha! Canalha!", disse o senador.

Ele afirmou que os senadores sabem que não há crime nas pedaladas fiscais de Dilma e que a cassação de seu mandato tem motivação exclusivamente política. “Duvido que um só de nós esteja convencido de que a Presidente Dilma deva ser impedida por ter cometido crimes. Não são as pedaladas ou a tal irresponsabilidade fiscal que a excomungam. O próprio Relator da peça acusatória (senador Antônio Anastasia) praticou-as, à larga, só que lá, em Minas, não havia um providencial e desfrutável Eduardo Cunha nem um centrão querendo sangue, salivando por sinecuras e pixulecos”, disse. “A inocência do Relator é a mesma de Moura Andrade, declarando vaga a Presidência. Ah!, as palavras de Tancredo coçam-me a garganta”, provocou.

Contundente, Requião disse que o Senado está prestes a repetir a ignomínia de março de 64. “O que se pretende? Que daqui a alguns anos se declare nula esta sessão, como declaramos nula a sessão que tirou o mandato de Goulart, e peçamos desculpas à filha e aos netos de Dilma?”, questionou.

Requião ainda fez previsões catastróficas para o futuro pós-Dilma e sentenciou: “se, mesmo sem culpa esta Casa condenar a Presidente, que cada um esteja consciente do que há por vir! Que ninguém, depois, alegue ignorância ou se diga trapaceado, porque as intenções do Vice, que quer ser titular, são claras, são solares!”, disse.