Candidatos diminuem tom dos ataques no último debate antes do primeiro turno

Roger Pereira

Diferente do que ocorreu na última quinta-feira, na RIC, o debate da noite desta terça-feira (o último antes do primeiro turno das eleições, no domingo), entre os candidatos ao governo do Paraná não esquentou. Líder nas pesquisas, Ratinho Junior (PSD) foi, novamente, o alvo principal dos adversários, mas em um tom bem mais moderado que no confronto anterior. Com dois blocos de perguntas com temas pré-determinados, os candidatos falaram um pouco mais sobre suas propostas, mesmo que de forma genérica, e deixaram as críticas aos outros concorrentes para comentários ou alfinetadas em respostas sobre qualquer outro tema.

O momento de maior tensão foi quando Cida Borghetti (PP) repetiu a pergunta feita no debate da RIC sobre quais seriam as 14 secretarias que Ratinho Junior cortaria, uma vez que prometeu reduzir pela metade o número de secretarias. “Vou começar cortando aquelas duas que você criou de cara para atender aliados políticos”, retrucou Ratinho, que deu apenas outros dois exemplos de pastas que poderia extinguir. Na réplica, Cida questionou, ainda, que privilégios que Ratinho Junior, que diz que combaterá privilégios, abriu mão nos 20 anos de vida pública dele, insinuando até que o deputado, quando secretário pediu um carro diferente dos utilizados pelos demais secretários.

Mesmo João Arruda, que tenta se posicionar como nome de oposição e vem explorando, durante toda a campanha, as relações de Ratinho Junior e Cida Borghetti com o ex-governador Beto Richa (PSDB), envolvido em escândalos de corrupção, diminuiu o tom no debate. Tentou aproveitar o progama para se tornar mais conhecido pelo eleitor, falou de algumas propostas e declarou, apenas que “é preciso colocar um risco no chão e separar as coisas, eu sou oposição ao modelo de governo do Beto Richa, que é representado pelo Ratinho e pela Cida. No domingo, o eleitor vai ter que escolher em qual Paraná quer viver, no de aumento de impostos da água da luz e da corrupção, ou no que vai reduzir mortalidade infantil, melhorar a educação, gerar empregos, reduzir as tarifas de água luz e gás”. Nas considerações finais, ele fez um apelo pelo segundo turno. “Elegeram Beto Richa no primeiro turno há quatro anos. Isso não pode acontecer novamente”, afirmou.

Dr. Rosinha (PT), mais uma vez, aproveitou o debate para defender o projeto nacional do PT. Em quase todas as suas respostas, levou o debate para a questão nacional, defendendo o legado de Lula e a candidatura de Fernando Haddad (PT) à Presidência da República. “Não se pode pensar em desenvolvimento do estado sem pensar na questão nacional. E, aí eu peço uma reflexão do eleitor. Sua vida estava melhor ou pior que agora nos anos Lula e Dilma?”, disse em determinado momento. “Ao falar em educação, precisamos lembrar que o Fernando Haddad foi o ministro da educação que mais implementou escolas federais no país”, afirmou também.


Também evocando o cenário nacional, Ogier Buchi (PSL), apesar dos problemas internos, com o próprio partido impugnando sua candidatura, também aproveitou para citar o presidenciável do partido, Jair Bolsonaro, mas, neste caso, para tentar colar no líder das pesquisas para a Presidência da República. “Eu sou o candidato de Jair Bolsonaro no Paraná. Está escrito em todos os documentos do partido, que fique claro. Se você volta Bolsonaro, vota Ogier”.

O ponto fora da curva foi o candidato do Psol, Professor Piva, que repetiu a estratégia de apontar as contradições que vê em seus adversários. O candidato fez nada menos que três das suas quatro perguntas a Ratinho Junior. O questionou sobre privilégios, corrupção e sua ligação com Beto Richa, os incidentes de 29 de abril de 2015. “O Ratinho é uma ótima companhia para passar a noite em um velório, porque ele fala de qualquer coisa, menos do que é perguntado”, ironizou, quando o candidato se esquivou da pergunta se ele manteria as maldades aprovadas pelo governo no 29 de abril. Ele também atacou João Arruda (MDB), o relacionando ao governo Temer e suas votações na Câmara em favor da Reforma Trabalhista e do teto de gastos.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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