Política
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Cheque nominal para Temer foi assinado em data que PMDB anunciou apoio ao PT

O cheque nominal de R$ 1 milhão pago pela construtora Andrade Gutierrez em nome de Michel Temer, em junho de 2014, foi a..

Narley Resende - 11 de novembro de 2016, 10:06

O cheque nominal de R$ 1 milhão pago pela construtora Andrade Gutierrez em nome de Michel Temer, em junho de 2014, foi assinado no mesmo dia em que o PMDB anunciou que apoiaria a candidatura à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com Temer como vice na chapa.

Naquele dia 10 de junho, a manutenção da aliança com o PT para a eleição presidencial - com Temer novamente compondo a chapa - foi aprovada na Convenção Nacional do PMDB.

Cheque

De acordo com Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, o repasse de R$ 1 milhão seria referente a um acerto de propina por acordos firmados pela empresa com o governo. A declaração foi feita em depoimento à Justiça em setembro.

Porém, o cheque, divulgado nessa quinta-feira (10) pelo jornal O Estado de São Paulo, contradiz Azevedo. No depoimento, ele afirmou que o montante equivalia a uma propina de 1% referente a contratos e que a doação teria sido feita ao diretório nacional do PT, e não ao PMDB.

Ele também havia dito que parte dos recursos repassados ao PMDB teriam relação com propinas relativas a contratos da hidrelétrica de Belo Monte.

Para a defesa de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o empreiteiro prestou falso testemunho. A chapa Dilma/Temer é alvo de ação movida pelo PSDB no TSE em 2014.

No Planalto existe o temor de que o ministro Herman Benjamin, que é relator das ações contra a chapa no TSE, recomende a cassação sem separar as contas.

Se a cassação da chapa ocorrer após janeiro de 2017, serão realizadas novas eleições diretas. Caso o processo ocorra antes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), assumiria e convocaria eleições indiretas.

Temer nega

O presidente Michel Temer disse que não houve irregularidade no cheque de R$ 1 milhão repassado à campanha para vice-presidência em 2014.

“Trata-se de cheque nominal do PMDB repassado para a campanha do então vice-presidente Michel Temer, datado de 10 junho de 2014. Basta ler o cheque. Não houve qualquer irregularidade na campanha do então vice-presidente Michel Temer”, disse o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola.

De acordo com o TSE, a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff apresentou o cheque, da construtora Andrade Gutierrez, como evidência de que o dinheiro, supostamente vinculado a contratos envolvendo a empreiteira, teria ingressado na campanha por meio do PMDB, e não pelo PT.