Christiane Yared critica Bolsonaro pela suspensão de instalação de radares em rodovias

Fernando Garcel


A deputada federal Christiane Yared (PR) publicou uma carta aberta ao presidente da República Jair Bolsonaro (PSL), na tarde deste domingo (31). Ela critica a postura do governo de suspender a instalação de 8 mil radares em rodovias federais. Christiane iniciou sua vida pública pautada no debate sobre trânsito seguro, fiscalização e punição de infratores após a morte do filho, em 2009.

No texto, a deputada repercute a decisão anunciada pelo presidente no Twitter de suspender a instalação dos equipamentos. Em um discurso populista, o presidente afirma que a grande maioria dos radares tem “o único intuito de retomo financeiro ao estado”. Ele também cita que os equipamentos tiram a paz do motorista.

“Ao renovar as concessões de trechos rodoviários, revisaremos todos os contratos de radares verificando a real necessidade de sua existência para que não sobrem dúvidas do enriquecimento de poucos em detrimento da paz do motorista”, declarou Bolsonaro.

Para a deputada, a paz do motorista acontece quando ele se sente seguro. “Caro senhor presidente, a paz do motorista acontece quando ele se sente seguro na rodovia, quando sabe que há um controle pensado para salvar vidas, a dele, a da sua família, dos seus entes queridos”, declarou a deputada.

Segundo Christiane Yared, a preocupação com a conhecida “indústria da multa” é real mas existem outras formas de combatê-la. Ela cita a Comissão de Viação e Transporte da Câmara dos Deputados que aprovou a proposta que altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para proibir qualquer relação entre a remuneração de empresas responsáveis pela instalação e manutenção de radares e o valor ou o percentual de multas aplicadas.

“Presidente, o senhor sabia que o trânsito brasileiro mata mais que arma de fogo? O senhor se mostra tão preocupado com a violência que nos assola nas cidades, mas esquece da que acontece no trânsito. Um país lavado em sangue, ruas, calçadas, vias e rodovias, sangue de famílias inteiras, sonhos e vidas interrompidas por um país que não educa, não fiscaliza e não pune!”, diz a deputada na carta aberta.

Leia na íntegra:

Violência no trânsito deu início a vida política de Christiane Yared

Na noite de 9 de maio de 2009, Gilmar Rafael Yared, com 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, 20 anos, morreram quando o ex-deputado estadual paranaense Luiz Fernando Ribas Carli Filho, com a carteira de habilitação suspensa, sob efeito de álcool e em alta velocidade, atingiu o veículo em que estavam.

Christiane e o marido fundaram o Instituto Paz no Trânsito, instituição voltada para ações educativas, conscientização e apoio às pessoas que perderam familiares no trânsito. Cinco anos após o acidente, a empresária paranaense se lançou na política e foi a deputada mais bem votada do Paraná, com mais de 200 mil votos. Além da atuação no Congresso Nacional, a deputada também dá palestras em colégios, universidades, empresas e grupos interessados em ouvir sobre os perigos e responsabilidades no trânsito.

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O caso se arrastou por anos até ser julgado pelo Tribunal do Júri em Curitiba, em 2018, que condenou Carli Filho a 9 anos e 4 meses de prisão por duplo homicídio com dolo eventual. Ele recorreu ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) que diminuiu a pena para sete anos, quatro meses e 20 dias em regime semiaberto com uso de tornozeleira eletrônica.

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