Política
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Collor pede desculpas pelo confisco de poupanças após 30 anos

Fernando Collor de Mello, ex-presidente e atualmente senador, pediu desculpas nesta segunda-feira (18) por confiscar par..

Redação - 18 de maio de 2020, 14:11

 Jane de Araújo/Agência Senado
Jane de Araújo/Agência Senado

Fernando Collor de Mello, ex-presidente e atualmente senador, pediu desculpas nesta segunda-feira (18) por confiscar parte do saldo das poupanças e contas-correntes em março de 1990, ou seja, mais de 30 anos depois.

"Acreditei que aquelas medidas radicais eram o caminho certo. Infelizmente errei. Gostaria de pedir perdão a todas aquelas pessoas que foram prejudicadas pelo bloqueio dos ativos", disse ele em uma série de publicações em seu Twitter.

https://twitter.com/Collor/status/1262371541448351745

O então presidente limitou os saques a 50 mil cruzeiros, que substituiu o cruzado novo. Naquela época, o governo afirmou que iria  controlar a inflação e desbloquear o dinheiro um ano e meio depois. Contudo, o controle veio apenas com o Plano Real, já no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Collor afirmou que a decisão 'dificílima' tentou conter a hiperinflação de 80% ao mês. Na sua visão, o país enfrentava imensa desorganização econômica.

"Os mais pobres eram os maiores prejudicados, perdiam seu poder de compra em questão de dias, pessoas estavam morrendo de fome. Eu e a minha equipe não víamos alternativa viável", completou.

COLLOR E O CONFISCO DE POUPANÇA EM 1990

No dia 16 de março de 1990, um dia após assumir a função de presidente da República, Fernando Collor declarou a prática de um plano econômico, chamado Plano Collor, que incluía o bloqueio das cadernetas de poupança.

"O Brasil não aceita mais derrotas. Agora, é vencer ou vencer. Que Deus nos ajude", disse, na ocasião.

A estimativa é que o governo confiscou cerca de US$ 100 bilhões, equivalente a 30% do PIB (Produto Interno Bruto). Basicamente, a população acordou descobriu que o governo bloqueou todos os saques em valores superiores a R$ 18 mil em aplicações financeiras, cadernetas de poupança e contas correntes.

A medida gerou diversas disputas judiciais que se arrastam até hoje.