Política
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Comissão da OAB afirma que presos da Lava Jato não têm regalias no Complexo Médico Penal

Após uma denúncia feita por um dos presos do Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, de ..

William Bittar - CBN Curitiba - 26 de junho de 2018, 19:01

Foto: Douglas Santucci / TV Band Curitiba
Foto: Douglas Santucci / TV Band Curitiba

Após uma denúncia feita por um dos presos do Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, de que os detidos da Operação Lava Jato, que cumprem pena no local, teriam regalias e benefícios, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Paraná, fez uma vistoria no complexo nesta segunda-feira (25) e afirmou que não foi encontrada nenhuma irregularidade.

Segundo a carta, entregue ao Ministério Público Federal e a Polícia Federal, e divulgada pelo jornal o Estado de São Paulo nesta segunda, um grupo de ex-executivos, políticos e doleiros, condenados na Operação Lava Jato, teriam acesso a celulares, internet, visitas íntimas, comida exclusiva, serviços de cozinheiro, segurança e zelador particular.

Porém, o presidente da comissão de direitos humanos da OAB Paraná, Alexandre Salomão, afirmou que todas as alas do complexo foram vistoriadas, inclusive as celas dos detentos da Lava Jato e nenhuma das informações relatadas na carta foi confirmada.

"A comissão não tem interesse nenhum em fazer a defesa e citamos irregularidades. Não vi nenhuma espécie de faxineiro extra... Existem dois blocos, um encontra-se os presos da Lava Jato e no outro policiais civis e militares e presos por pensão alimentícia, o padrão dos dois é o mesmo", relata Salomão.

Sobre o serviço de cozinheiro particular, Salomão foi direto e apontou que não existe nem cozinha no Complexo Médico Penal. Outra denúncia que chamou a atenção foi a de presença de garotas de programa que se denominavam advogadas dos acusados. O presidente da comissão garantiu que não existem visitas íntimas no local. De acordo com Salomão, as irregularidades encontradas no local foram de situações não relacionadas aos presos da Lava Jato.

Além disso, o complexo também tem um problema de superlotação. Com capacidade para 659 presos, a unidade abriga hoje cerca de 730. Do total de detentos, 12 cumprem pena na Lava Jato, entre eles, o ex-presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o ex-deputado federal André Vargas e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

Em nota, o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen-PR) afirmou que a denúncia foi feita em outubro de 2017 e arquivada em dezembro do mesmo ano, por falta de indícios de comprovação de qualquer irregularidade.