Política
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Condor e Havan pedem votos de funcionários para Bolsonaro; MPT alerta sobre proibição de coação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou nota pública para alertar empresários e sociedade civil sobre a proibiçã..

Fernando Garcel - 02 de outubro de 2018, 10:36

Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou nota pública para alertar empresários e sociedade civil sobre a proibição de imposição, coação ou direcionamento político na escolha de empregados.

Ontem, uma carta assinada pelo presidente do Grupo Condor, Pedro Joanir Zonta, direcionada a seus colaboradores viralizou na internet. No documento, Zonta declara apoio a Jair Bolsonaro (PSL), faz críticas à esquerda e diz se comprometer em não cortar o 13º salário e férias de seus funcionários. Há algum tempo, Luciano Hang, dono das Lojas Havan, promove atos de campanha com seus colaboradores e lança ameaça de demissões caso Bolsonaro não vença as eleições.

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Segundo o MPT, a prática fere o respeito e a proteção à intimidade e à liberdade do cidadão-trabalhador no processo eleitoral e pode caracterizar discriminação em razão de orientação política,  o que pode ser alvo de investigação e ação civil pública por parte do MPT. Esse tipo de ação é considerada uma coação psicológica, moral, econômica ou social do empregador em relação ao trabalhador, objetivando o direcionamento de votos de seus trabalhadores a determinado candidato ou partido político.

Leia na íntegra aqui.

"Se ficar comprovado que empresas estão, de alguma forma e ainda que não diretamente, sugestionando os trabalhadores a votar em determinado candidato ou mesmo condicionando a manutenção dos empregos ao voto em determinado candidato, essa empresa vai estar sujeita a uma ação civil pública, inclusive com repercussões no sentido de indenização pelo dano moral causado àquela coletividade”, explica o procurador-geral do trabalho, Ronaldo Curado Fleury.

As denúncias podem ser feitas no site do MPT.

Rede Condor

Procurada, a assessoria de imprensa da Rede Condor confirmou a autenticidade da carta assinada pelo presidente Pedro Joanir Zonta, mas diz desconhecer a forma como ela está sendo divulgada ou entregue para os mais de 12 mil colaboradores da empresa.

No texto, Zonta afirma estar preocupado com as eleições do próximo final de semana e declara seu voto em Bolsonaro porque ele "não tem medo de dizer o que pensa", "protege os princípios da família, da moral e dos bons costumes", "segue os valores cristãos".

Abaixo, o texto segue com 11 razões para não votar na "Esquerda" entre elas o "fim da família", "agravamento da crise econômica", "transformação do Brasil em uma Venezuela", entre outros.

Por fim, a carta termina com o comprometimento de que não haverá cortes no 13º salário e . Você pode dizer em quem você acha que deve votar, mas nunca obrigar. Só tem duas opções agora: Bolsonaro ou PT. Eu vou rever o plano estratégico se a esquerda vencer e me preparar para deixar o país, como fizeram na Venezuela", afirmou.