Conselho de Ética cassa mandato de Eduardo Cunha

Roger Pereira


Por 11 votos a 9, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados acaba de aprovar o relatório do deputado Marcos Rogério pela cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara. Agora, a decisão do Conselho de Ética será encaminhada ao plenário para votação decisiva. A deputada Tia Eron, que não revelara seu voto até a sessão, votou a favor da cassação. Já Wladimir Costa, do SD, que durante todas as reuniões do Conselho defendeu Cunha, mudou de opinião e votou a favor da cassação. Ele votou após Tia Eron e pode ter mudado de ideia depois de perceber que seu voto não alteraria o resultado da votação, uma vez que se houvesse empate o presidente da Comissão, José Carlos Araújo (PR/BA) daria o voto de minerva e ele já havia se declarado a favor da cassação. Antes da votação do relatório no plenário, aliados de Cunha podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Segundo o relator, Cunha é o dono de pelo menos quatro contas nna Suíça: Köpek; Triumph SP, Orion SP e Netherton. Ao pedir a cassação de Cunha, Rogério disse que as contas são verdadeiros “laranjas de luxo”. “Estamos diante do maior escândalo que este colegiado já julgou, não se trata apenas de omissão, de mentira, mas de uma trama para mascarar a evasão de divisas, a fraude fiscal”, disse Rogério. “Estamos diante de uma fraude, de uma simulação de empresas de papel, de laranjas de luxo criadas para esconder a existência de contas no exterior”, acrescentou.

Cunha nega a propriedade das contas, mas admitiu ter o usufruto de ativos geridos por trustes estrangeiros.

O processo de Cunha no Conselho de Ética é considerado o mais longo no colegiado e foi marcado por inúmeras manobras que protelaram a decisão dessa terça-feira. A representação contra Cunha foi entregue pelo PSOL e Rede à Mesa Diretora da Câmara, no dia 13 de outubro de 2015. A Mesa, comandada por Cunha, levou o prazo máximo de 14 dias para realizar a tarefa de numerar a representação e enviá-la ao Conselho de Ética, o que retardou o início dos trabalhos do colegiado. O processo só foi instaurado quase um mês depois da representação, em 3 de novembro de 2015.

Agora o processo contra Cunha precisa ser analisado em plenário. Para que Cunha tenha o mandato cassado, é preciso pelo menos 257 votos, a maioria absoluta dos 513 deputados.

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Repórter do Paraná Portal
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